segunda-feira, 10 de agosto de 2009

The Seed

The Seed


A successful business man was growing old and knew it was time to choose a successor to take over the business.

Instead of choosing one of his Directors or his children, he decided to do something different. He called all the young executives in his company together.

He said, "It is time for me to step down and choose the next CEO. I have decided to choose one of you. "The young executives were shocked, but the boss continued. "I am going to give each one of you a SEED today - one very special SEED. I want you to plant the seed, water it, and come back here one year from today with what you have grown from the seed I have given you. I will then judge the plants that you bring, and the one I choose will be the next CEO."

One man, named Jim, was there that day and he, like the others, received a seed. He went home and excitedly, told his wife the story. She helped him get a pot, soil and compost and he planted the seed. Everyday, he would water it and watch to see if it had grown. After about three weeks, some of the other executives began to talk about their seeds and the plants that were beginning to grow.

Jim kept checking his seed, but nothing ever grew.

Three weeks, four weeks, five weeks went by, still nothing.

By now, others were talking about their plants, but Jim didn't have a plant and he felt like a failure.

Six months went by -- still nothing in Jim's pot. He just knew he had killed his seed. Everyone else had trees and tall plants, but he had nothing. Jim didn't say anything to his colleagues, however. He just kept watering and fertilizing the soil - He so wanted the seed to grow.

A year finally went by and all the young executives of the company brought their plants to the CEO for inspection.

Jim told his wife that he wasn't going to take an empty pot. But she asked him to be honest about what happened. Jim felt sick to his stomach, it was going to be the most embarrassing moment of his life, but he knew his wife was right. He took his empty pot to the board room. When Jim arrived, he was amazed at the variety of plants grown by the other executives. They were beautiful -- in all shapes and sizes. Jim put his empty pot on the floor and many of his colleagues laughed, a few felt sorry for him!

When the CEO arrived, he surveyed the room and greeted his young executives.

Jim just tried to hide in the back. "My, what great plants, trees, and flowers you have grown," said the CEO. "Today one of you will be appointed the next CEO!"

All of a sudden, the CEO spotted Jim at the back of the room with his empty pot. He ordered the Financial Director to bring him to the front. Jim was terrified. He thought, "The CEO knows I'm a failure! Maybe he will have me fired!"

When Jim got to the front, the CEO asked him what had happened to his seed - Jim told him the story.

The CEO asked everyone to sit down except Jim. He looked at Jim, and then announced to the young executives, "Behold your next Chief Executive Officer!

His name is Jim!" Jim couldn't believe it. Jim couldn't even grow his seed.

"How could he be the new CEO?" the others said.

Then the CEO said, "One year ago today, I gave everyone in this room a seed. I told you to take the seed, plant it, water it, and bring it back to me today. But I gave you all boiled seeds; they were dead - it was not possible for them to grow.

All of you, except Jim, have brought me trees and plants and flowers. When you found that the seed would not grow, you substituted another seed for the one I gave you. Jim was the only one with the courage and honesty to bring me a pot with my seed in it. Therefore, he is the one who will be the new Chief Executive Officer!"


If you plant honesty, you will reap trust
If you plant goodness, you will reap friends
If you plant humility, you will reap greatness
If you plant perseverance, you will reap contentment
If you plant consideration, you will reap perspective
If you plant hard work, you will reap success, be careful what you plant now;
it will determine what you will reap later.
If you plant forgiveness, you will reap reconciliation
If you plant faith in god , you will reap a harvest


So
"Whatever You Give To Life, Life Gives You Back"


Diego Willer

domingo, 9 de agosto de 2009

Sutilmente

Foto: Pôr-do-sol no Pólo Norte


"Sutilmente" (Skank)

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce

Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce

Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti

Viver a Vida

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Para pensar...


"É preferível o silêncio das dores guardadas

e a solidão das saudades envelhecidas,

ao rastro indolor do nada!"

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

DIálOGo SEgUndO

E então o que você anda pensando?
Pensar? Acho que não penso. Ou penso?
Que tipo de pessoa é você?
Não sei. Algo muito profundo. Sou capaz de tudo, penso eu. Eu penso?
Mas que confusão é essa, meu amigo?Não importe-se com essas indagações... Que tal tomarmos um chopp?
Não obrigado. Não me sinto satisfeito a ponto de esquecer de minhas indagações.
Satisfeito? Quem disse a você que o ser humano tem de ser satisfeito? Satisfeito nada!
Será mesmo? Será o inferno, então?
Não sei, mas se for, tem chopp! E aí?
Não obrigado. Vou para casa quero ler um pouco...
Ler? De que planeta você é? Parece até meio bobo... Não se diverte nunca?
Divertir? O que é diversão? De que tipo de diversão?
Aff! De novo o assunto do "sou satisfeito" "não sou satisfeito". Cara, vai descansar um pouco. Você não é o Atlas para carregar o mundo!
Você sempre tem uma "resposta rápida" para todas as minhas perguntas, não?
Não. Eu só vivo.
Vive só?
Não. Eu só vivo!
Vive? Se acha que vive, então viva e vá tomar o seu chopp.
Estressadinho, hein... Depois vem falar em blá blá blá. É isso que dá não se divertir...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

terça-feira, 28 de julho de 2009

Víboras

Víboras
Aos meus "amigos"

Víboras
Víboras
Peçonhentas
Hípócritas
Indecentes

tipo de gente
que quero bem longe de mim

- SAIAM TODOS DAQUI ! VOLTEM PARA SUAS TOCAS

animalescos
homens sem alma
sem honra
sem palavra

Víboras hipócritas
Víboras peconhentas
Víboras indecentes
tipinho de gente que não é gente
palavras sujas
imundas palavras
atos sem bravura
falsa honra e tudo mais

APLAUSOS
- Aplaudam esses senhores! Aplaudam! Eles querem aplausos!

homens vividos de palmas
e um tonzinho arrogante
arrogantes
impenetrantes
desconfiáveis

gente suja de lama
não é tão suja
como a mente porca de vocês

unam-se, deem as mãos
cantem uma canção bonita falando da vida
e emporcalhem toda a filosofia

Víboras

- SAIAM TODOS DAQUI!


Paula Cristina

domingo, 26 de julho de 2009

quero voltar

"quero voltar"

calçadas frias
dissidentes frios
vasos vazios

é só ilusão
essa vida
eu sei

fugas malditas
palavras não-ditas

quero voltar

é só ilusão
essa vida
eu sei

atos insconstantes
noites berrantes

calçadas frias
dissidentes frios
vasos vazios


Paula Cristina

Uma resposta


Fez uma pergunta.
Uma pergunta secreta.
Como atingir as nuvens e descrever os céus?
Não há céus.
Só nuvens.
Eu vejo nuvens.

Ornar com flores
Todas as palavras proferidas
e queridas
de mil cores

Tem uma coisa em mim
e eu não vejo o ceú
apenas as nuvens
e vem uma luz
e não sei agora
de onde vem
e eu não vejo o céu
vejo nuvens
só sei que você é o meu bem

Cores? Não sei
Perfumes? Não sei
Eu não sei
Eu vejo nuvens de formatos mil
E eu não vejo o céu: eu vejo nuvens
Belas puras doces carinhosas nuvens

Levou-me não aos céus
Levou-me às nuvens!
______________________
Paula Cristina

Câmera Indiscreta

CÂMERA INDISCRETA
(Ademir Assunção)

olho o olho que me olha
olho o olho
olho a lua
o olho que me olha olha mas não vê

olho o olho que me olha
olho a rua a lua a rua a rua a rua
eu atravesso a rua
o olho que me olha olha mas não sabe o quê

olho o olho no espelho
olho de loba
o olho que me olha olha mas não lê

vou olhando olho a olho corpo a corpo
olho ilhas
olho dentro de você


Ademir Assunção

"Escrito a Sangue"
Ademir Assunção

ruas escuras
atravessado
eu atravesso
reviro o avesso
nele me meço
olho de lince
encaro a face da fera
espelhos se estilhaçam
rasgam minha cara
cai a neblina do vazio
frio na barriga
pago o preço
erva bola cogumelo
volto ao começo
escapo com vida
desconverso
verso escrito a sangue
desapareço
quanto mais
menos
me pareço
eco de bicho homem
ego sem endereço


Contato: Ademir Assunção
zonabranca@uol.com.br
http://zonabranca.blog.uol.com.br/

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Juó Bananère

Paródia de Juó Bananère ao poema “Canção do exílio” de Gonçalves Dias



Migna terra tê parmeras,

Che ganta inzima o sabiá.

As aves che stó aqui,

Tambê tuttos sabi gorgeá.

A abobora celestia tambê,

Che tê lá na mia terra,

Tê moltos millió di strella

Che non tê na Ingraterra.

Os rios lá sô maise grandi

Dus rios di tuttas naçó;

I os matto si perde di vista,

Nu meio da imensidó.

Na migna terra tê parmeras

Dove ganta a galigna dangola;

Na migna terra tê o Vap’relli,

Chi só anda di gartolla.

Juó Bananère


Conhecido por Juó Bananère, o paulista Alexandre Ribeiro Marcondes Machado, nascido em 11/04//1882, nos deixou apenas uma única obra La divina Increnca, 1915 (atualmente, uma raridade bibliográfica). Parodiou escritores consagrados como Camões, Olavo Bilac, Casimiro de Abreu, Guerra Junqueira, La Fontaine, Machado de Assis, entre outros e alguns figurões da velha República, como o marechal Hermes da Fonseca.

Juó Bananère intitulava-se Gandidato á Gademia Baolista di Letteras (Candidato à Academia Paulista de Letras).

Otto Maria Carpeaux, em interessante estudo, considerou Juó Bananere um pré-modernista, principalmente pelo fato de ter começado a tratar de forma irreverente as produções do romantismo e do parnasianismo, até então levadas muito a sério.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Problemas???


" A existência dos problemas é uma benção porque nos obriga a ser melhores."

Gabriel Perissé

O Leitor Criativo

terça-feira, 14 de julho de 2009

Arquivo

Poemas antigos e inacabados:


Se desejo algo é porque não estou completo.
Falta em mim o que procuro.
E o que procuro só posso encontrar em mim.
A completude se fará perfeita
Quando eu não desejar.
Se desejo algo é porque não estou completo.

Paula Cristina

És tempo de ter tempo
para olhar para si
mesmo e admitir
quem realmente és...

Paula Cristina


Frase


"O mundo é belo antes de ser verdadeiro"

Gaston Bachelard

segunda-feira, 13 de julho de 2009

"To be free"


Ditador

"Ditador", por David Hopffer C. Almada (Cabo Verde)

Sobre a tua cabeça
Disparo
A lei desfeita
Em pedaços
E dos pedaços
Desses pedaços
Sai a sorte
Que te destino

VII (Valdemar Velhinho)

VII
Adormecem as aves da tarde
e as acácias, como eu,
aguardam o instante das coisas
______________________________
Valdemar Valentino Velhinho Rodrigues, poeta cabo verdiano

Acerca do Amor

"Acerca do amor", por Filinto Elisio*

Do amor só digo isto:

o sol adormece ao crepúsculo
no oferecido colo do poente
e nada é tão belo e íntimo

O resto é business dos amantes
Dizê-lo seria fragmentar a lua inteira

_________________________
* poeta de Cabo Verde. Poesia publicada em Poesia africana de língua portuguesa (antologia). Lacerda Editores. 2003

Sem Imprevisto (Bia Lopes)

Dias em que acordo enganada e não compreendo quando herberto diz "amo". Acreditar palavras quando preciso vestir gestos? Subo e desço espirais vertida nos braços de minha mãe. Respiro labirintos resumo vidros e vistas de uma janela. Dizem "não é nada", fantasmas carregam-me por avenidas e entre tantos líquidos incompreensíveis um branco soro percorre-me. Almoço telefonemas que desaparecem por veias de mesa. Sorvo mentiras que não consigo desmentir. Sem becos para meus desenganos, sem sangue para minhas quedas, durmo para o impossível.
Bia Lopes.
Tantas Letras!
São Bernardo do Campo

Pesadelo

O porquê daqueles gritos?
Aquela dor ruidosa e rasteira...
Crianças do lado de fora do mundo
Incrível perturbação indizível:
Era um pesadelo.
Paula Cristina

II (Hai Kai)

II

Lendo li o que nunca fora lido.
A vida é assim mesmo:
Um mistério

Paula Cristina

Nós

Nós

Não sei se foi a primeira vez.
Eu ouvi você falar em "nós".
Melhor amor não há.
União de letras
União de corpos

de almas

Paula Cristina

sábado, 11 de julho de 2009

11/07


o interminável dia de chuva

chuva é assim não pàra cai gota a gota e não pára e você torcendo para que passe logo todo esse aguaceiro para que possa finalmente passear ou ir ao mercado se entupir de besteiras tipo doces danones sucrilhos e pastéis e nada pois a chuva não passa.
chove chuva chove sem parar lá na esquina porque eu quero andar e nada nada nada a bendita malvada da chuva não passa tudo bem eu irei até a locadora me molharei toda e devolverei aquele filme e hoje está quase predestinado a ser mais um dia de filmes minha cabeça dói essa dor é da tv culpa da mídia e da classe dominante com esses programa babacas de final de semana e mais babaca sou eu que sem fazer nada ou sem coragem para fazer acabo nesse lenga lenga da chuva e o tempo não passa chove chove chove e cada vez mais chove chove.
parece que a garoa vem diminuindo arrisco ou não estou com preguiça hoje o tempo não está a meu favor.
é acho que agora parou.
que nada começou tudo outra vez chuva é assim não pàra cai gota a gota e não pàra e você torcendo para que passe logo todo esse aguaceiro para que possa finalmente passear ou ir ao mercado se entupir de besteiras tipo doces danones sucrilhos e pastéis e nada pois a chuva não passa.
Paula Cristina
11/07 - "o interminável dia de chuva"

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Eu sei que vou te amar (parte II)

Eu sei que vou te amar - Arnaldo Jabor
"(...) A minha querida santinha em casa... e a guerreira loura na noite... esta é uma verdade! (...)" p. 69
" Vai!!! Vai, sua filha de uma grandíssima vaca!!! Imagina se eu ligo que você vai embora!!! Pode ir, minha filhinha, pros braços de outro homem!!! (...)" p. 73
"(...) As mulheres... as mulheres são umas putas escrotas mais malvadas que os homens porque elas param de amar e o homem não pàra nunca de amar! O homem não pàra de amar! a mulher pàra! ... A mulher pàra... o homem não!"
"A que horas , minha senhora, a senhora parou de me amar e começou a amar fulano de tal?" p. 77
" No mundo cor-de-rosa em que vivíamos havia uma crueldade implícita e uma brutalidade que me fazem medo quando eu penso..." p. 83
" Sim...sim... sim... sim... sim, mamãe... sim querido... sim , sim, todo mundo... sim... eu abro as pernas... sim, eu vou sorrir... sim, meu amor... você sorrindo com superioridade sobre minha inocência... obrigada... coitadinha... tão bobinha... tão fraquinha... eu gosto tanto desta bobinha... não é, minha bobinha? (...)" p. 83/84
"Ouve!!! Eu me apaixonei por outro homem porque você não me emocionava mais. Eu vi nos olhos dele uma beleza que era eu e que teus olhos não refletiam mais... Ele me ouvia... esquecia de si mesmo e me ouvia... ele se encantava comigo, com meu ar em volta...(...)" p. 95
" (...) nunca você me amou tanto... homem só ama quando perde a mulher... (...)" p. 95/96
" Claro!!! Sabe por que você está alegre? Porque está livre do amor! Amor é a coisa mais infernal que existe! Amor é uma bosta!!! Uma bosta!" p. 105
"O corpo dela está parado... vou me aproximando devagar(...)" p. 118
" Por favor, não se aproxime!..." p. 119
" Eu queria dizer...
Um beijo fecha minha boca, um beijo fecha minha boca!" p. 131
Eu sei que vou te amar - Arnaldo Jabor
Um casal se reencontra depois da separação. O que dizer e, principalmente, sobre o que calar?
Tensa, cruel, apaixonada - a discussão da relação flutua entre mentiras gentis e verdades duras de ouvir, confissões e delírios. O abismo entre o que se diz e o que se sente pode ser superado?

Eu sei que vou te amar

Eu sei que vou te amar Arnaldo Jabor
"Você me chamou por telefone. Não te vejo há três meses... seis anos juntos e agora sem te ver... pela tua voz no telefone sei que você está controlando uma emoção, querendo bancar o homem seguro de si... e fico desesperada porque mesmo assim você consegue fingir solidez e eu... e eu... ao ouvir tua voz, o mundo se acalma (...)" p. 14
" É... esse negócio de casamento não dá mais pé: instituição pesada... antigamente ainda tinha a família patriarcal... os pais na mesa... a amante no bordel... hoje em dia a única finalidade do casamento é a repressão sexual do parceiro... só isso..." p. 19
"Ah... minha querida, eu tenho é medo dessa simbiose da gente... com você eu quis mais que um casamento... eu quis tocar uma verdade, eu quis dar um beijo que ficasse, um gozo que não passasse mais, uma marca de amor que não saisse da tua pele, te marcar, te suar... virar você..." p. 32
" - Não vou atender!
- Atende, deve ser alguma amiguinha...
- Não vou atender! Não é mulher nenhuma... é que eu não quero me incomodar... não atendo..." p. 35
" Eu vou matar esse cara" p. 37
" Santa mãe! Como eu estou babaca, passando imagem de verdadeiro...
- Sei que é babaquice, querer ser o verdadeiro... espera... vou ser mais simples... será que a gente não podia ser mais puro, e falar tudo que sente pelo outro... ninguém tem essa coragem... será que a gente ... não podia correr este perigo?..." p. 39/40
" - Quer dizer, eu percebia... mas sempre dois segundos depois... sempre que eu fazia uma besteira, eu percebia dois segundos depois..." p. 46
" O que me faz sofrer é sentir que o que encheria qualquer mulher de felicidade, ou seja, ter o teu maravilhoso amor de homem e as coisas lindas que você me diz, tudo isto me causa ansiedade e me leva ao desespero.(...)" p. 50
" Ai!... Meu Deus do céu... como a verdade de um homem é diferente ds verdade de uma mulher... eu... eu... fiz tudo pra essa mulher... mas ela só lembra dos erros... mulher só contabiliza coisas negativas... só... 'estraguei a vida dela'... tá legal... e as milhares de vezes que eu a protegi sem ela saber, hein? E a mão protegendo dos golpes do mundo, hien? E a contemplação muda da ingenuidade, e os ensinamentos discretos? E a carícia desinteressada? E a ejaculação contida pelo bem dela? E a muda concordância e a bobagem consentida para evitar o triunfo sobre a juvenil ignorância ? Nada conta? Nada... nada... (...)" p. 51
" (...) Às vezes eu acordava de madrugada e ia olhar pela janela... tinha uma janela baixa que dava pra um jardim... rosas... rosas... (...)
- Rosas... eu olhava minha mulher dormindo... e pensava: 'A vida é perfeita'. " p. 52/ 53
"(...) Eu também contemplei o doutor dormindo enquanto eu trocava fraldas! (...) " p. 55
" - Pois saiba que a família é insuportável!!! Todos os homens e mulheres ficam loucos dentro de casa !!! A casa é pequena demais pro desejo humano... eu não sei o que é amor!!! Quando eu estava casado vivia indo aos puteiros da cidade, mergulhando na mais doida sordidez, e de noite eu ia para casa purificado, de banho tomado!!! Só assim pode haver o pai de família exemplar... eu era um marido exemplar que mergulhava com as putas em piscinas sujas!" p. 67

quarta-feira, 8 de julho de 2009

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Dom Quixote




Dom Quixote de La Mancha, escrito por Miguel de Cervantes y Saavedra (1547-1616).



"Todas as coisas humanas têm dois aspectos... para dizer a verdade todo este mundo não é senão uma sombra e uma aparência; mas esta grande e interminável comédia não pode representar-se de um outro modo. Tudo na vida é tão obscuro, tão diverso, tão oposto, que não podemos nos assegurar de nenhuma verdade."
Erasmo – Elogio da Loucura, 1509

sexta-feira, 3 de julho de 2009

A morte espero

A morte espero

(A Álvares de Azevedo ou a Lord Byron)

Negra
Escuridão
Profunda
Ventos ululantes e raivosos
E um gosto azedo na boca
Total tristeza aprofunda-me as entranhas
E sangram
Minha última lágrima é cheia de ódio
Ódio ou Conformidade?
O vento me gela a alma
Corta-me a garganta em fatias
Quero gritar
- Eu sofro
Meu sofrimento é tão vasto como os mares
Naus de raiva e delírio por eles navegam
Uma dor de perda
De perda de vida
Que se cala no peito e lateja
um-a-um pensamentos mil
Fogem da minha cabeça
Hoje não sou nada
Tal desespero me leva à loucura
Quero correr
- Pois que corra!
Jocosos jogos da vida
Jocosos e amargos
Sangram-me as mãos e os pés
Nada sou
Nada posso fazer
Nada
A morte espero
O frio geme, a escuridão avança e mais nada.


Paula Cristina

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Seara de Vento

"(...) A terrível presença do irremediável e a vaga, tardia, sensação de que tudo foi inútil dão-lhe agora destrambelhados ímpetos de investir de novo, contra todos os que se encontram ainda lá dentro, acabar com todos, a um por um."
p. 146 Seara de vento 17ª ed. Caminho

" - Digam à minha neta! Digam-lhe que ela tem razão! Um homem só não vale nada!"
p.173 Seara de vento 17ª ed. Caminho

Autor: Manuel da Fonseca

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Moça

Moça
Caetano Veloso


Moça
Me espere amanhã
Levo o meu coração
Pronto pra te entregar

Moça
Moça eu te prometo
Eu me viro do avesso
Só pra te abraçar

Moça
Sei que já não é pura
Teu passado é tão forte
Pode até machucar

Moça
Dobre as mangas do tempo
Jogue o teu sentimento
Todo em minhas mãos

Eu quero me enrolar
Nos teus cabelos
Abraçar
Teu corpo inteiro
Morrer de amor
De amor me perder

Eu quero
Eu quero

Eu quero me enrolar
Nos teus cabelos
Abraçar
Teu corpo inteiro
Morrer de amor
De amor me perder

Leituras


Leituras:

Morte e Vida Severina. João Cabral de Melo Neto

Seara de Vento. Manuel da Fonseca

Vidas Secas. Graciliano Ramos

A Hora da Estrela. Clarice Lispector

” O bicho” – poema de Manuel Bandeira

Capitães da Areia. Jorge Amado

Filhos da Pátria. João Melo

terça-feira, 30 de junho de 2009

A Vida

"A Vida"
"Rude, do coração da noite, a vida começa a palpitar" ( Manuel da Fonseca)
Pois sim. É nessa mesma miséria que nasce a vida, aquela dura e sofrida. De tantos Joãos e Marias, aquela também do finado Zacarias e também a de Severino.
Quem nunca ouviu falar em Severino? Aquele mesmo de João Cabral de Melo Neto, e eis que encontro sua face, face-a-face, com a de Fabiano, o Fabiano do Ramos...
Encontrei por umas andanças dessas (aquelas que nos tira a sola do pé e nos faz sangrar até o último suspiro) o Palmas. Fruto do valente confronto de Manuel da Fonseca, de quem roubei uma frase e botei esta mesma como epígrafe dessas linhas tortas e sem nexo algum, pois que a vida é assim mesmo: não tem vírgula.
É num campo moribundo, sem trigo sem céu sem cor, um desses mesmo, que encontrei o Palmas e sua dura vida dura, feito pedra no chão que se agarra às raízes mais profundas do seio da Terra.
Uma raça que resiste, que terá ainda o direito ao grito, diria minha bela professora da vida, a Lispector.
Grandes palavras, mas pouco feitos.
E por que não convidar para essa insólita passagem os meninos do trapiche? Eita Jorge Amado, não muito amado, agora bem mais sexualizado, mas valente. A miséria transforma o homem. A miséria de uns é a riqueza de outros. Justiça? Não creio nessa hipócrita palavra, não na nossa, a dos homens, a de Deus tem valia, mas no coração dos honestos.
Me lembrei também do bicho-homem do Bandeira. E pergunto pra quê o susto? João Melo (este angolano) também diz que lá por Luanda e seus arredores tem muitas cestas de lixo e ratos e sujeira e homens. Filhos da dor e da fome.
Valentia de quem escreve a vida tal como ela é e não com flores e doces.
É um gemido aterrorizante que fica zumbindo no ouvido da gente, é uma dor sem tamanha: é a vida seca, que tem cactos e ossos, magro boi morto e um seara de vento.
É a vida meu Deus! Nesse mundo de meu Deus, quem come é rico, quem trabalha é rei.
Mas quem vive, quem vive mesmo esta teimosa vida é quem pode dizer: é no lodo que mora o lírio, é da lama do mangue que brota a vida, é da seca que nasce o homem.
"Rude, do coração da noite, a vida começa a palpitar"
Paula Cristina

segunda-feira, 29 de junho de 2009

El poeta dice la verdad

Quiero llorar mi pena y te lo digo
para que tú me quieras y me llores
en un anochecer de ruiseñores,
con un puñal, con besos y contigo.

Quiero matar al único testigo
para el asesinato de mis flores
y convertir mi llanto y mis sudores
en eterno montón de duro trigo.

Que no se acabe nunca la madeja
del te quiero me quieres, siempre ardida
con decrépito sol y luna vieja.

Que lo que me des y no te pida
será para la muerte, que no deja
ni sombra por la carne estremecida

Federico García Lorca

terça-feira, 23 de junho de 2009

Intuição

Canta uma canção bonita
Falando da vida em ré maior
Canta uma canção daquela
De filosofia
É mundo bem melhor...

Canta uma canção que agüente
Essa paulada e a gente
Bate o pé no chão
Canta uma canção daquela
Pula da janela
Bate o pé no chão...

Sem o compromisso estreito
De falar perfeito
Coerente ou não
Sem o verso estilizado
O verso emocionado
Bate o pé no chão...

Canta o que não silencia
É onde principia a intuição
E nasce uma canção rimada
Da voz arrancada
Ao nosso coração...

Como, sem licença o sol
Rompe a barra da noite
Sem pedir perdão
Hoje quem não cantaria
Grita a poesia
E bate o pé no chão...

Canta uma canção bonita
Falando da vida em ré maior
Canta uma canção daquela
De filosofia
É mundo bem melhor...

Canta uma canção que agüente
Essa paulada e a gente
Bate o pé no chão
Canta uma canção daquela
Pula da janela
Bate o pé no chão...

Sem o compromisso estreito
De falar perfeito
Coerente ou não
Sem o verso estilizado
O verso emocionado
Bate o pé no chão...

Canta o que não silencia
É onde principia a intuição
E nasce uma canção rimada
Da voz arrancada
Ao nosso coração...

Como, sem licença o sol
Rompe a barra da noite
Sem pedir perdão
Hoje quem não cantaria
Grita a poesia
E bate o pé no chão
E hoje quem não cantaria
Grita a poesia
E bate o pé no chão...

Sem o compromisso estreito
De falar perfeito
Bate o pé no chão
Sem o verso estilizado
O verso emocionado
Bate o pé no chão...

Canta uma canção bonita
Falando da vida em ré maior
Canta uma canção daquela
De filosofia
Do mundo bem melhor
Canta uma canção que agüente
Essa paulada e a gente
Bate o pé no chão...

E hoje quem não cantaria
Grita a poesia
E bate o pé no chão...

Oswaldo Montenegro

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Guernica

Francisca Júlia, grande poeta!

“Assim, num dia assim, a morrer sem alarde,
chorando eu disse adeus e ele partiu chorando,
para renascer na Terra onde estarei mais tarde...”

sábado, 13 de junho de 2009

Madrugada ensolarada

Ontem acordei e não pude ver a lua
ela já tinha caído no mar!

Na hora de dormir dois sóis estiveram a brilhar o tempo todo
E quase não se via os caramujos no céu!

A madrugada estava linda
Um sol perene a banhava
com uma chuvinha de leve-leve

Tudo era tão bonito!

E então vieram as leis...
Remexeram e mexeram
Deixaram o mundo como está:

Sem sonho

Hoje acordo e vejo prédios.
Na hora de dormir o único brilho é o dos postes.
A madrugada é barulhenta e odiosa.

Não sou mais poeta.
Sou uma imagem inventada de poeta.
um poeta cheio de cinzas.
e sem graça.
um poeta que perdeu a alma.
que perdeu a lua.
que perdeu o sol.
que perdeu a madrugada.
que perdeu o encanto.

Fr ag me nt ad o


Paula Cristina

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Vinicius de Moraes


"Para Viver Um Grande Amor"

Vinicius de Moraes


Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.


Texto extraído do livro "Para Viver Um Grande Amor", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 130.


quinta-feira, 4 de junho de 2009

Mãe é Mãe!

Imagens valem mais do que palavras!


sábado, 30 de maio de 2009

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Si vis pacem para bellum

Se queres a paz, prepare-te para a guerra

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Nada acontece

Nada acontece

Eu vejo a luz acesa
a noite caindo
o céu murmurando
e nada

nada acontece

Eu vejo o vai-e-vem das pessoas
a televisão
a solidão das crianças
e nada

nada acontece

Eu vejo as notícias
os políticos
a descoberta do roubo
e nada

nada acontece

Eu vejo os grilhões
o ferro e a brasa
a dor maior do mundo
e nada

nada acontece

Eu vejo a internet
o orkut e seus recados
o desespero humano
e nada

nada acontece

Eu vejo as palavras
os discursos
a fraca tentativa
e nada

nada acontece

Eu vejo os homens
as cadeiras quebradas
a estúpida fuga
e nada

nada acontece

Eu vejo as mulheres
os vermelhos decotes
a grande insegurança
e nada

nada acontece

Eu vejo as meninas
saias e batom
a crua realidade
e nada

nada acontece

Eu vejo o horizonte
o sol e sua certeza
a esperança do amanhã
e nada

nada acontece


Paula Cristina

"a minha fome é do tamanho da minha dor"


África on line:
http://www.africa21digital.com/

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Construirei para ti uma casa terrestre,
feita de pão e luz e música,
onde caibas apenas tu
e não haja espaço para os intrusos


João Melo
--------------


Obra: Filhos da Pátria
Autor: João Melo

"Tio, mi dá só cem"

"(...), é demais, tio, eu não aguento, mi dá só cem, tio, estou com bué de fome, não, tio, não diz que não, tio, a minha garina foi embora, a minha fome é do tamanho da minha dor, eu tenho muita vontade de chorar mas ainda tenho uma kilunza na mão, tio, porra, não me provoques, você ouvistes bem, não me provoques, tio, mi dá só cem, mi dá só cem mesmo, tio"


terça-feira, 26 de maio de 2009

" Sem Título"


"Sem Título"


Hoje acordei querendo ser do avesso
Chorar o mais alto possível
Rir de mim mesma
Ter o prazer de dizer "não"
E lamentar pelo "sim"
Correr em busca de nada
Andar nua por aí
Cometer loucuras diversas
Fazer o que quero
E o quero é algo do avesso!


Meu Deus, como é bom estar louca!



Paula Cristina

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Nação Crioula


Nação Crioula (romance epistolar) é um dos belos romances de Agualusa. Conta a história de um amor secreto: Carlos Fradique Mendes e Ana Olimpia.
A leitura desta obra faz-se essencial na questão da sociedade escravocrata. Traz aos olhos do leitor o navio negreiro, a venda e compra de escravos e o status de possuí-los e ainda mais, a identidade de um povo, tão-nosso, que ficou esquecida...

A escravidão foi "apagada" do nosso passado...
A identidade foi perdida.

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O romance assim começa:

Carta a Madame de Jouarre
Luanda, Maio de 1868

Minha querida madrinha,


Desembarquei ontem em Luanda ás costas de dois marinheiros cabindanos. Atirado para a praia, molhado e humilhado, logo ali me assaltou o sentimento inquietante de que havia deixado para trás o próprio mundo. Respirei o ar quente e húmido, cheirando a frutas e a cana-de-acúçar, e pouco a pouco comecei a perceber um outro odor, mais subtil, melancólico, como o de um corpo em decomposição. É a este cheiro, creio, que todos os viajantes se referem quando falam de África.

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Trechos da obra

" (...) 'A vida de um escravo', disse me, 'é uma casa com muitas janelas e nenhuma porta. A vida de um homem livre é uma casa com muitas portas e nenhuma janela'.(...)"
(p.95)


" (...) Na terra dos hausa, disse-lhe a minha amiga, já ninguém se lembra de si. O velho encolheu os ombros: 'Não vou à procura dos outros', respondeu, 'vou à procura de mim' ".
(p.96)

terça-feira, 19 de maio de 2009

O Sagrado e O Profano

" (...) Divulgar é sempre profanar. Se o nosso amor é sagrado, e é sagrado, deve portanto permanecer secreto." (2001: 47)

Nação Crioula
José Eduardo Agualusa

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Poema "Decorei..."




Decorei...


Vi o mundo
Olhei seu caminho
Enxerguei sua vida
Compreendi sua atitude.

Amei sua inteligência
Brinquei com sua fala
Peguei sua mão
Caminhei ao seu lado.

Inaugurei sua manhã
Abri o seu dia
Fui seu amigo
Espantei sua tristeza.

Li seu poema
Populei seu ambiente
Preenchi seu espaço
Acelerei sua noite.

Aceitei seu carinho
Abracei sua meiguice
Chorei sua lágrima
Afaguei seu sentimento.

Admirei sua face
Analisei seu corpo
Vislumbrei sua beleza
Beijei sua boca.

Acertei seu peito
Roubei seu coração
Decorei sua alma
Entreguei... a minha.


Meier




quinta-feira, 14 de maio de 2009

MULHER

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" Cuida-te quando fizeres chorar uma mulher,
pois Deus conta as suas lágrimas.
A mulher foi feita da costela do homem,
não dos pés para ser pisada,
nem da cabeça para ser superior,
mas sim do lado para ser igual,
debaixo do braço para ser protegida
e do lado do coração para ser amada."



Taimud - livro dos Rabinos

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A PALAVRA FORTE

A Palavra Forte


Minhas palavras não são tão doces
Eu tenho uma conversa esquisita
Meu vinho não é tão suave
Eu tenho um gosto sutil
Minha maçã não é tão vermelha
Eu tenho uma cor discreta

Eu falo baixo
Coisas pequenas
Pra pouca gente
Mas procuro sempre...

Minhas palavras não são tão certas
Eu tenho uma certeza esquisita
Meus sentimentos não são comuns
Eu sinto coisas que mudam
Meu corpo não é tão real
Eu ando, eu ando,
Eu ando por outros mundos
Meus desejos não são simples
Eu sonho, eu sonho,
Eu sonho com o impossível

Eu falo baixo
Coisas pequenas
Pra pouca gente
Mas procuro sempre
A palavra forte!

Paula Toller/ George Israel

Cantigas de Roda

A Barata diz que tem

A Barata diz que tem sete saias de filó
É mentira da barata, ela tem é uma só
Ah ra ra, iá ro ró, ela tem é uma só !

A Barata diz que tem um sapato de veludo
É mentira da barata, o pé dela é peludo
Ah ra ra, Iu ru ru, o pé dela é peludo !

A Barata diz que tem uma cama de marfim
É mentira da barata, ela tem é de capim
Ah ra ra, rim rim rim, ela tem é de capim

A Barata diz que tem um anel de formatura
É mentira da barata, ela tem é casca dura
Ah ra ra , iu ru ru, ela tem é casca dura

A Barata diz que tem o cabelo cacheado
É mentira da barata, ela tem coco raspado
Ah ra ra, ia ro ró, ela tem coco raspado

FONTE: http://www.alzirazulmira.com/cantigas.htm

terça-feira, 12 de maio de 2009

sábado, 9 de maio de 2009

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Brejeirinha e o "não-dito"



"Falou que aquela, ali, no rio, em frente, era a Ilhazinha dos Jacarés. - "Você já viu jacaré lá?" - caçoava Pele. - "Não. Mas você também nunca viu o jacaré não-estar-lá. Você vê a ilha, só. Então o jacaré pode estar ou não estar..." (2008: 171)

"A partida do audaz navegante". In: Primeiras Estórias. João Guimarães Rosa. Editora Nova Fronteira






quarta-feira, 6 de maio de 2009

www.culturapara.art.br

AS ÁRVORES BOTTICELLIANAS
William Carlos Williams

O alfabeto das
árvores

vai desmaiando na
canção das folhas

as hastes cortadas
das finas

letras que escreviam
inverno

e frio
foram iluminadas

com
pontas de verde

pela chuva e o sol -
As regras simples

e estritas dos ramos
retos

vão sendo alteradas
por ses de cor

pinçados, por cláusulas
devotas

os sorrisos de amor -
. . . . . . .

até as frases
desnudas

se moverem como braços
e pernas de mulher sob o tecido

e em sigilo o louvor
entoarem do desejo

e do império do amor
no estio -

No estio a canção
canta-se por si

acima das palavras surdas -

(tradução: José Paulo Paes)

Poeta fundamental numa tradição de gigantes, a poesia norte-americana, em que cada autor parece estar observando o mundo pela primeira vez e inventando a linguagem poética (...). Dentro desta tradição, William Carlos Williams se destaca por sua capacidade de transformar todo assunto ou objeto em matéria poética. Daí sua atenção toda peculiar ao fugaz e ao diminuto, ao aparentemente desimportante, enfim.

A poesia surge do mais inesperado solo... "Ele continua a arrebentar rochas e rachar poemas". (T.S. Eliot numa carta de fevereiro de 1959, aludindo a um de seu poemas mais conhecidos, "Uma espécie de canção".

http://www.culturapara.art.br/opoema/williamcarloswilliams/williamcarloswilliams.htm

sexta-feira, 1 de maio de 2009

As sete maravilhas do mundo





As sete maravilhas do mundo

E ela estava com vergonha de dizê-las
Um grupo de estudantes estudava as sete maravilhas do mundo. No final da aula, foi pedido aos estudantes que fizessem uma lista do que consideravam as sete maravilhas. Embora houvesse algum desacordo, começaram os votos:


1) O Taj Mahal
2) A Muralha da China
3) O Canal do Panamá
4) As pirâmides do Egito
5) O Grand Canyon
6) O Empire State Building
7) A Basília de São Pedro

Ao recolher os votos, o professor notou uma estudante muito quieta. A menina não tinha virado sua folha ainda. O professor então perguntou a ela se tinha problemas com sua lista. A menina quieta respondeu:
- Sim, um pouco. Eu não consigo fazer a lista, porque são muitos.
O professor disse:
- Bem, diga-nos o que você já tem e talvez nós possamos ajudá-la.
A menina hesitou, então leu:
- Eu penso que as sete maravilhas do mundo sejam:


1 - Ver
2 - Ouvir
3 - Tocar
4 - Provar
5 - Sentir
6 - Rir
7 - E amar ...


A sala então ficou completamente em silêncio...

(autor desconhecido)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Claude Monet



Landscape: Parc Monceau, Paris
Impressionismo

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Poema - (parodiando alguém)

Nós

Ele não sabe ser feliz.
Ele julga a cada segundo.
E a cada instante e a cada momento e a cada lugar.

Em pleno momento pleno,
Análise,
Raciocínio,
Julgamentos;
E Felicidade?
Em qual momento?
Nada.
Pois
Tudo
Acaba.
Em pleno momento pleno.

Chance única
Último suspiro
Sopro eterno

Respire Felicidade
Deixe os cálculos para amanhã

Eterna respiração


Paula Cristina 22/04

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Pensar


" O sofrimento não é um sofá. É uma escada."

quarta-feira, 15 de abril de 2009

quarta-feira, 8 de abril de 2009

diFErêNÇaS - Diálogo Primeiro

Por que somos todos diferentes?
- A diferença, em parte, é benéfica, mas causa irritabilidade quando espera-se do outro um comportamento que, de certa forma, seria o seu.
Irritabilidade proveniente de quê?
- Temos um modelo-padrão para tudo em nossa vida. Quando o que se vê difere do padrão, ficamos fragilizados. (medo, de novo o medo?)
- O que é diferente nos instiga e nos afasta ao mesmo tempo. Curioso esse jeito nosso, não? - Queremos e não queremos. Alegria e tristeza. E blá blá blá.
- Lei da atração e repulsão: vai e volta sem fim. Será mesmo sem fim? Pergunto-me.
Quando a diferença passará a fazer parte das aventuras de um dia a dia normal?
- Quando não mais se esperar o programado, o "padrão".
Egoísmo?
- Sim, egoísmo. Sem dúvida, o causador das superioridades e inferioridades...
Ah! Não entendi...
- Deixa pra lá.

Eu x Eu

Cotidiano? - Diga NÃO


segunda-feira, 6 de abril de 2009

Falam Pocilgas de Operários

Crianças rotas, sem abrigo...
A exerga é pobre e a roupa é leve...
Quarto sem luz, mesa sem trigo...
Quem é que bate no meu postigo?
- A Neve!

A usura rouba a luz e o ar
E o negro pão que a gente come...
Inverno vil... Parou o tear...
Quem vez sentar-se no meu lar?
- A Fome!

Lume apagado e o berço em pranto
Na terra húmida, Senhor!
A mãe sem leite... o pai a um canto...
Quem vem além,torva de espanto?
- A Dor!

Álcool! Veneno que conforta,
Monstro satânico e sublime!...
Beber! beber.. e a mágoa é morta!...
Quem é que espreita à nossa porta?
- O Crime!

Doze anos já, e seminua!
A mãe, que é dela?... O pai no ofício...
Corpo em botão d'aurora e lua!...
Quem canta além naquela rua?
- O Vício!

A fome e o frio, a dor e a usura,
O vício e o crime... ignóbil sorte!
Ó vida negra! Ó vida dura!...
Deus! quem consola a Desventura?
- A Morte!

Guerra Junqueiro

sábado, 4 de abril de 2009

Definição de "Mulher"

"Eu já pensei assim um dia, mas cheguei a conclusão que as mulheres são tão profundas em sentimentos que não há a menor possibilidade de termos uma parte feminina em nós. Todas as mulheres são capazes de criar seus filhos sozinhas; poucos homens conseguem isso. Mulher é uma coisa complexa e enigmática. Muitas vezes (ou sempre) seus atos não possuem uma explicação lógica para nós, homens. Se eu acreditasse em teorias de conspiração, apostaria que elas são alienígenas e que há muito vieram para salvar a humanidade (homens). Se não for isso, como explicar o fato que elas conseguem se comunicar por olhares? Como entender que ela sente que há um ente seu em perigo? Ela é capaz de fazer chover, quando diz: não saia sem blusa e você sai, desafiando-a. Ela faz chover só para te mostrar que ela tem razão, ela tem o poder. Mulher é o enigma para decifrar nossa relação com as velhas perguntas: quem sou? De onde vim? Para onde vou?
A mulher é o enigma da criação..."
Denis Silva

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Constância

Minha vida não é pendular
Não queira que eu assuma o teu jeito de viver
Eu vivo
Apenas
.Vivo.
Presente constante
Alerta infinito da passagem do tempo
Não sou um sino
Quanto ao futuro
Deixo a pergunta

Paula Cristina

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Eu sei quem é você?



Um homem bastante idoso procurou uma clínica para um
curativo em sua mão ferida, dizendo-se muito apressado
porque estava atrasado para um compromisso.
Enquanto o tratava, o jovem médico quis saber o motivo
da sua pressa e ele disse que precisava ir a um Asilo
de Velhos tomar o café da manhã com sua mulher que
estava internada lá há bastante tempo.
Sua mulher sofria do "Mal de Alzheimer" em estágio
bastante avançado.
Enquanto terminava o curativo, o médico perguntou-lhe
se ela não ficaria assustada pelo fato dele estar
atrasado.
- "Não, disse ele. Ela já não sabe quem eu sou. Há
quase cinco anos ela nem me reconhece..."
Intrigado o médico lhe pergunta:
- "Mas se ela já nem sabe quem o senhor é, porque essa
necessidade de estar com ela todas as manhãs?"
O velho sorriu, deu uma palmadinha na mão do médico e
disse:
- "É verdade... ela não sabe quem eu sou, mas eu sei
muito bem QUEM ELA É".
Enquanto o velhinho saía apressado, o jovem médico
sorria emocionado e pensava: "Esta é a qualidade de
Amor que eu quero para a minha vida"

O Amor não se reduz ao físico, ao romântico.
O Amor verdadeiro é a aceitação.
DE TUDO O QUE O OUTRO É.
DE TUDO O QUE O OUTRO FOI.
DO QUE SERÁ.
DO QUE JÁ NÃO É.


(Desconheço a autoria.)

"A arte de ver a vida"


quarta-feira, 1 de abril de 2009

Espelho

aqui
aqui
quem sabe
talvez
não sei
ali
ali
não
não
sim
sim
ali
ali
não sei
talvez
quem sabe
aqui
aqui
Paula Cristina
Cristina Paula

terça-feira, 31 de março de 2009

Amor a sim mesmo!!!

"(...).Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.
(...)"

Artur da Távola
Amor a sim mesmo

O mundo é grande...

O mundo é grande


O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.


(Carlos Drummond de Andrade in Amar se Aprende Amando)

quarta-feira, 25 de março de 2009

Meu mistério

"Mas o vazio tem o valor e semelhança do pleno. Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o de não pedir e somente acreditar que o silêncio que eu creio em mim é resposta a meu - a meu mistério."
A hora da estrela. Clarice Lispector

segunda-feira, 23 de março de 2009

Sem Título

nós éramos nada
nós éramos tudo
e
ainda sobrava

éramos muito
éramos pouco
nós éramos pequenos
e
loucos

Paula Cristina

sexta-feira, 20 de março de 2009

quarta-feira, 18 de março de 2009

quinta-feira, 12 de março de 2009

SIM

S I M
I I
M I S

E S T O U

Estou.
Estou?
Estou!
ESTOU
E S T O U
E
S
T
O
U

Onde mesmo?

Paula Cristina

quarta-feira, 11 de março de 2009

Hon Sha Ze Sho Nen

Símbolo da conexão à distância. A luz em mim se estende
para a luz em você a fim de
promover Iluminação e Paz. Origem no Kanji Japonês.

Apesar de.

Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida.

Clarice Lispector
Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres

segunda-feira, 9 de março de 2009

Marcelino Freire

Acompanhante
Marcelino Freire


Sujar ele se suja. Mas não se preocupe. Há um cinturão de fraldas. Um nó gordo que segura. Para não escorrer na poltrona. Melecar a parede da sala. Um dia até no teto ele deixou uma manchinha pendurada. Feito uma criança que voa. Cuidado para ele não comer bosta à toa. Coitado! O que é a idade? Ave! Você precisava ver como ele era. Eis a fotografia. Quem diria? Era? Ou? Não? Era? Outra? Pessoa? Minha? Filha?

Sopa de ervilhas ele adora. É preciso saber cozinhar. Tudo o que ele for engolir aconselho triturar. Mole. Mole. Coisa dura nem pensar. Nada de dentadura. Digo assim. Na hora de almoçar. Papar. Periga ele se engasgar como numa certa vez. Os dentes foram sugados. E a outra menina teve de puxar. Lá de dentro. Ele já quase morrendo. Roxo. Eis aqui. O copo é este. Desde muito tempo. Ele só bebe neste copinho. Que bonitinho! Da! Cor! Que! Ele! Gosta! Minha. Filha. Cinzento!

O banheiro é este. A banheira é esta. Você vai ter de acompanhar. Pode lavar a cara e as costas. Esfregar. Esfregar. Esfregar. Nem pense em economizar. Vá fundo. Só não deixe o esqueleto pular muito. O sabonete naufragar. Cair. O xampu entrar nos olhos. Porque ele começa a gritar. A espernear. A mijar feito um afogado. Quem ouve pensa. Estão matando o que já está morto. Salvem o coitado! Aquele alvoroço. Como se a gente tivesse coragem de esganá-lo. Que pecado! Minha. Filha. O? Que? Passa? Pelo? Coração? Deste? Povo?

Ah! Para dormir não dá trabalho. É só contar uma história. Ajudar o diabo a rezar. Se quiser pode até cantar uma cantiga de ninar. Antiga. Que ele aprova. Vou ser sincera. O problema é quando ele acorda. Por causa de um pesadelo. Uma saudade. Algum desejo que ficou. Sei lá. Adormecido. Ele perde o juízo. Baba. Espuma. Vai querer você bem perto. Pertinho. Ele tira a roupa. Feito um debilóide. O pobrezinho. Mas veja. Não é nada muito sério. Ele só se sente sozinho. Deite-se com ele. Minha. Filha. Não há perigo. O. Velho. Só. Precisa. De. Um. Pouco. De. Carinho.

Severinos . . .

Operários - Tarsila do Amaral



Morte e Vida Severina - João Cabral de Melo Neto

O RETIRANTE EXPLICA AO LEITOR QUEM É E A QUE VAI


— O meu nome é Severino,
não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.

Mais isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.

Como então dizer quem falo
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.

Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.

Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas
e iguais também porque o sangue,
que usamos tem pouca tinta.

E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).

Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,

a de querer arrancar
alguns roçado da cinza.
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.


Ele disse o seguinte:

Meu amor!
Disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem
Legião Urbana

sexta-feira, 6 de março de 2009

Arnaldo Antunes


http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_visual/arnaldo_antunes2.html

quinta-feira, 5 de março de 2009

Hunter - Dido

With one light on in one room, I know you're up when I get home
With one small step up on the stair, I know your look when I get there

If you were a king up there on your throne,
would you be wise enough to let me go?
For this queen you think you own
wants to be a hunter again, wants to see the world alone again
To take a chance on life again -- so let me go

The unread book and painful look, the TV's on, the sound is down
One long pause, then you begin, oh look what the cat's broughtin

If you were a king up there on your throne,
would you be wise enough to let me go?
For this queen you think you own
wants to be a hunter again, wants to see the world alone again
To take a chance on life again, so let me go, let me leave

For the crown you've placed up on my head feels too heavy now
And I don't know what to say to you but I'll smile anyhow
And all the time I'm thinking, thinking

I want to be a hunter again, want to see the world alone again
To take a chance on life again, so let me go

I want to be a hunter again, want to see the world alone again
To take a chance on life again, so let me go, let me live, let me go

quarta-feira, 4 de março de 2009

Somos o que lemos

"Por mais que os leitores se apropriem de um livro, no final, livro e leitor tornam-se uma só coisa. O mundo, que é um livro, é devorado por um leitor, que é uma letra no texto do mundo; assim, cria-se uma metáfora circular para a infinidade da leitura. Somos o que lemos."
(Alberto Manguel, Uma história da leitura)