sábado, 20 de fevereiro de 2010

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Gota-em-vermelho




abraço no corpo

delícia da alma



conforto abraço

olhar que incendeia

boca molhada

pele serena



quem faz amor com quem ama

é mais do que cama


Paula Cristina

Lua Canção Floresta Paz (Palavras Perdidas I)

Na floresta da noite
existe um medo
é um medo maior
é o medo do desejo

Nesta canção desprovida
há uma nota perdida
não rima, não diz nada
já não traz mais em si a vida

Na paz de outrora
eu escutei aquele ruído
era um som absurdo
que beirava ao misticismo

Nesta floresta sem canção sem paz
dorme uma lua autêntica
ela é quem guia
os passos dos pobres mortais

Paula Cristina

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Nossa bagagem


"Somos um pouco de tudo, um pouco de todos, um pouco de nós mesmos e mais um pouco!"
Paula Cristina

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Não saber como frear as lágrimas

Não saber como frear as lágrimas
diante de uma música,
não saber como vencer a dor de um
silêncio que nada preenche.

Martha Medeiros

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Florbela Espanca

Mas que eu não era Eu não o sabia
mesmo que o soubesse, o não dissera...
Olhos fitos em rútila quimera
Andava atrás de mim... e não me via!

Florbela Espanca

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Haikai VI



E fez-se o silêncio
E caiu a chuva
Harmonia
***
Paula Cristina

amarosaamar

amar

rosa

espaço
terra
água
luz
sombra
chuva

paciência
cuidado
carinho

caule
folhas
espinhos
flor

rosa

amar

Paula Cristina

Conforto para a alma


Fragmentos

Por que tanta confusão nesse pequeno espaço central? Ou há muito entulho ou não há nada!
Oras, raiva e raiva! Para que tanta pasmadice, tanta boberagem, tanta hipocrisia e um tantão de falsidade. A rima fica perfeita, mas pérfida, podre e nojenta.
Ah! Mundo mundo vasto mundo, mundo cheio de lixo e de gente. Gente ou lixo? Lixo ou gente? Não sei. Não sei. Miséria indevida, status alheio, cores e flores roubadas da filha de um pseudo-jardineiro. Ele diz que é jardineiro. É? Não, não é. Tem tanta gente que se diz tanta coisa e essa coisa não passa do grande nada. Nada! São uns nada. É isso que são! Uns bandos de nada!

E essa pedra aqui? Ainda aqui? Pra quê? Oh, meu Deus! Livrai-me do mal e de todas as pedras. Amém!

Dia 05, 06, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22,23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32. Não há 32!

Passar na esquina, comprar manteiga, pegar os ovos, fechar a bolsa, ligar o carro.
Passar o carro na manteiga, comprar a bolsa, pegar a esquina e ligar os ovos...
Eu não lembro o que devo fazer...

Olá, oi, bom dia, até logo, olá, oi, bom dia, boa tarde, com licença, por gentileza, senhora, boa tarde, bom dia, boa noite, oi, olá

350,00 +700,00 -350,00 -20,00 +58,00-450,00-1000,00 +0,45

Pra que ser assim? Peça perdão!

toc, toc, toc. Tem alguém aí?
Não sei.

Pra que tanta coisa nesse pequeno espaço central?
Há muito entulho!

Paula Cristina

sábado, 16 de janeiro de 2010

- Os homens...

- Os homens - disse o pequeno príncipe - embarcam nos trens, mas já não sabem mais o que procuram. Então eles se agitam, sem saber para onde ir.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Lugares Proibidos

Eu gosto do claro quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby, com você já, já

Mande um buquê de rosas, rosa ou salmão
Versos e beijos e o seu nome no cartão
Me leve café na cama amanhã
Eu finjo que eu não esperava
Gosto de fazer amor fora de hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem datas
Chega mais cedo amor
Eu finjo que eu não esperava

Eu gosto da falta quando falta mais juízo em nós
E de telefone, se do outro lado é a sua voz
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby com você chegando já

Helena Elis

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

vasto vasto mundo

vasto vasto mundo
com tão poucas ideias
e homens curtos!

Paula Cristina

sábado, 2 de janeiro de 2010

palavras fugidias

fugitivas
fugidas
palavras fugidias

ando sem tempo
ando sem brilho
a morte cumprimenta-me solenemente
na escuridão da caverna profunda do ser

e as palavras
ainda fugidias
teimam em responder

fugitivas
fugidas
palavras fugidias

Paula Cristina

Sopro de Vida

"Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida. Viver é uma espécie de loucura que a morte faz. Vivam os mortos porque neles vivemos."





quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Do Muito e do Pouco

Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois

É muito quadro pr'uma parede
É muita tinta pr'um só pincel
É pouca água pra muita sede
Muita cabeça pr'um só chapéu
Muita cachaça pra pouco leite
Muito deleite pra pouca dor
É muito feio pra ser enfeite
Muito defeito pra ser amor
É muita rede pra pouco peixe
Muito veneno pra se matar
Muitos pedidos pra que se deixe
Muitos humanos a proliferar

Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois

É muito quadro pr'uma parede
É muita tinta pr'um só pincel
É pouca água pra muita sede
Muita cabeça pr'um só chapéu
Muita cachaça pra pouco leite
Muito deleite pra pouca dor
É muito feio pra ser enfeite
Muito defeito pra ser amor
É muita rede pra pouco peixe
Muito veneno pra se matar
Muitos pedidos pra que se deixe
Muitos humanos a proliferar

Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois

Oswaldo Montenegro

2010

Último

é assim.
novas andanças.
novos trilhares.

despedida, enfim.
triste não fico.
vou porque quero.
saudades, talvez.
momentos, talvez.

parede, pó, pia, planta.
tudo em mim.
digo adeus
para um passo maior
desabrochar é preciso.

como diria o poeta
tudo passa.
tudo passa.
e chega a vez...
último dia.
último momento.
última palavra.

O último é o infinito recomeço.

Paula Cristina

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Depois de tanto tempo,

volto a escrever.
Depois de tanto tempo.
Calendários e datas que correm.
Cabeças que voam.
Tempo que mata.

Escrever é a única coisa que me salva.
Completamente.
Salvação única, exclusiva minha, pois que são minhas palavras.
E de ninguém mais.

Paula Cristina

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Brincando com o português


As fábricas fazem os lápis.
Os lápis são feitos pelas fábricas.
Pelas fábricas os lápis são feitos.
São feitos pelas fábricas os lápis.
Os lápis pelas fábricas são feitos.
Pelas fábricas são feitos os lápis.
São feitos os lápis pelas fábricas.
Fazem-se lápis!

Os lápis são fazidos!


Paula Cristina

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Questionamentos Fragmentados

Ando sem tempo... Ou o tempo anda sem mim?
Parece que a vida parou... Ou eu estou parada?

Não sei. Não sei. Tudo é tão corrido e tão corriqueiro que não se percebe a vida, não se percebe que tudo está acontecendo.
Uma aranha tece a teia, uma borboleta bate as asas, uma pessoa morre, outra nasce. É assim. E não é percebido. O mais grotesco é que nada é percebido. Nada. Nem mesmo nós mesmos...

Paula Cristina

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Alegria




Todo jeito

de alegria

festa flor

pão vinho

e amor


Paula Cristina

terça-feira, 24 de novembro de 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Crueldade

Crueldade sua
A minha alva lágrima
Sua prepotência indevida
***
***
***
**
*
Paula Cristina

Questão de imagem




quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Escutei

... de certa pessoa: "eu não quero o mal desta pessoa. Eu quero o meu bem". Como podemos querer o nosso bem, causando mal ao outro?

terça-feira, 17 de novembro de 2009

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Anniversarius

Ontem foi o meu aniversário e também o de meu pai: aniversário duplo.

Recomeço e mudança.
Meu ano novo começa agora.
Faço metas, mudo a agenda.
Jogo a antiga fora.
Rasgo folhas e viro a página.
Ciclo novo.
***
Paula Cristina

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Desejo

Olhares e sentidos
Olhares e apertos
Desejo.

Bocas e vontade
Bocas e delírios
Desejo.

Pernas e braços
Cabelos e peles
Desejo.

Sorrisos e lágrimas
Alma e corpo
Amor.

Paula Cristina

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

As Palavras Poupadas

Levanta-se da mesa. Lá fora, num relógio qualquer, batem duas horas. Daí a momentos, daí a uma eternidade, levantar-se-á da mesa outra vez. E amanhã. E depois. E daí a muitos anos. Tudo morre à noite, dizia Claude. Mas não, a vida é longa, desliza e escorre sem uma quebra. Uma sucessão de acontecimentos, uma corrente sem fim de palavras ditas e de palavras poupadas. Dessas principalmente.

As Palavras Poupadas, 1961
Maria Judite de Carvalho

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Travessia II

A travessia

Tempestuosa é a nossa travessia.
A vida é diferente ao cruzar a ponte.
Elos de mudança.
Tempestuosa é a nossa travessia
Que teremos de um dia fazê-la
Não penses que é a morte
Não é.
Estou falando da vida.
A vida é diferente ao cruzar a ponte.
Nem melhor nem pior.
Apenas outra.
Outra vida.

Eu poderia dizer
Eu não sou tão forte assim
Para ser
Tenho medo de perder-me

Você pode dizer o que quiser
E pensar da maneira como quiser

It´s only.

But it´s the Life.
É a travessia.

Paula Cristina

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Lua e Flor

Eu amava como amava um cantor
De qualquer clichê, de cabaré, de lua e flor.
Eu sonhava como a feia na vitrine,
Como carta que se assina em vão.

Eu amava como amava um sonhador,
Sem saber porque, e amava ter no coração
A certeza ventilada de poesia
De que o dia amanhece, não.

Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar.
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te encontrar,
Se soubesse como te encontrar

Oswaldo Montenegro

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Novembro


Um poema escrito e reescrito

Latim versus
Puella amat
Rosae

Amor,
Quando eu te vi pela primeira vez
Não soube o que era.
Desejo. Devaneio. Loucura.
Não era.
Era Amor.

Latim versus
Puella amat
Rosae

(A ideia central do poema, a 2ª estrofe, foi escrita numa "barriga")


Paula Cristina

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Atestado

Eu, L´essentiel est invisible pour les yeux, atesto, para fins emocionais, que Mon amour está sob constante atendimento neste órgão, digo coração.
Declaro ainda que Mon amour precisa de 100 anos de alegrias, paz e amor junto a L´essentiel est invisible pour les yeux.

Sem mais,
SBCampo, __ / __/ __

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Jesus numa moto

Sá, Rodrix & Guarabyra
Composição: Zé Rodrix

Preso nessa cela
De ossos, carne e sangue,
Dando ordens a quem não sabe,
Obedecendo a quem tem,
Só espero a hora,
Nem que o mundo estanque,
Prá me aproveitar do conforto,
De não ser mais ninguém.

Eu vou virar a própria mesa,
Quero uivar numa nova alcatéia,
Vou meter um "marlon brando" nas idéias,
E sair por aí,
Prá ser jesus numa moto,
Che guevara dos acostamentos,
Bob dylan numa antiga foto,
Cassius clay antes dos tratamentos,
John lennon de outras estradas,
Easy rider, dúvida e eclipse,
São tomé das letras apagadas,
E arcanjo gabriel sem apocalipse.

Nada no passado,
Tudo no futuro,
Espalhando o que já está morto,
Pro que é vivo crescer,
Sob a luz da lua,
Mesmo com sol claro,
Não importa o preço que eu pague,
O meu negócio é viver,
Sob a luz da lua...
Mesmo com sol claro...
Preso nesta cela...

Aprenda

"Aprenda que uma pessoa pode ferir seu corpo,
mas jamais poderá ferir sua emoção, a não ser que você permita."
Augusto Cury

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Almeida Faria

"...todos os dias ali pessoas pagam promessas a um Deus que não as ouve e que perseguem..."
p. 72
***
"...porque não serei eu nunca um homem novo? durmo, velo, sonho, lembro; a vida é isto: tempo."
p. 76
***
"... deus, tem piedade dos que arrotam de fome, salva-os ao menos, como esperam, desta pocilga..."
p.81
***
"... que os homens, ao deitarem-se nas duras camas do trabalho em que as mulheres, magras e pacientes de calma permanência, de aflita espera, esperam, são mais ternos para elas e a elas prometem, cheios duma esperança abstracta, um futuro melhor de paz e pão..."
p.111
***
"... nunca compreendeu que, na tacanha sociedade arcaica em que vivia, a mulher é aquilo que o homem fizer dela, e ele fez dela um corpo apático, favorecendo e completando assim uma educação medieval..."
p.125
***
"... a casa túmulo da vida, a noite túmulo da casa..."
p. 143
***

FARIA, Almeida. A paixão. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

domingo, 25 de outubro de 2009

Terceira

Amamos.
Somos queridos.
Somos amados.
Somos.

"... não há mais tempo para incertezas, brigas, ciúmes e bobagens. O amor existe e eu o encontrei..."

Paula Cristina

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

É preciso amar

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Por que se você parar
Prá pensar
Na verdade não há...
...

Sou a gota d´água
Sou um grão de areia

Legião Urbana

Segunda

Fogo
Fogo
Explosão
Dinamite
Surpresa
Liberdade
Aventuras
Segredo

..." e assim sei lá. Era uma paixão louca, devoradora, arrebentadora, tempestades e trovões, loucuras mil, segredos secretos. Éramos doidos, éramos livres."

Paula Cristina

Primeira

Escadas e livros
Olhares
Faíscas de fogo
Conversas secretas
Espera
Caminho
Encontro
Beijo
Acontecimento
Fascinação
Sonho

"Quando te vi pela primeira vez, eu te achei feio, um feio sedutor, não sei o porquê. Muito jovem e pouca experiência, apenas as dos livros e as imaginadas e também a da vida, mas ainda não tinha me deperado com alguém do sexo oposto. Os olhares não haviam se cruzado como acontecera...
Acordaria na manhã seguinte com uma nova sensação, uma cor diferente na alma..."

Paula Cristina

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Amor Feinho

Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado, é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.

Adélia Prado

Casamento

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.


Texto extraído do livro "Adélia Prado - Poesia Reunida", Ed. Siciliano - São Paulo, 1991, pág. 252.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Deixe

Deixe que escorra
Deixe que se vá
A vida é assim
mesmo torta
não tem linha
reta
Deixe
Deixe que digam
Deixe falar
Eles dizem o que sabem
Sabem o que não querem
Deixe
A vida é assim
mesmo torta
não tem linha
reta
Deixe
Deixe correr
Deixe vazar
Eles não entendem o que falam
Nem falam o que entendem
Deixe

Paula Cristina

domingo, 18 de outubro de 2009

Antes que a cortina se feche...


"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos."

Charles Chaplin

sábado, 17 de outubro de 2009

Chacun et Chacune

O problema é de Chacun e de Chacune!
Paula Cristina

O ponto final

acordei sem saber que acordei fingindo ser quem eu nunca fui realmente e sendo o que já tinha sido mas não sendo nada e não sei o que acontece são coisas que não cessam nunca pensamentos floreios imagens dores perturbações alucinações tempestades num mesmo segundo e algo me puxa e me diz de deus e quem é deus se estou assim num mar sem mar num monte de areia ventos de areia cabeça arrebentada de naufrágos deslizes e pensamentos sútis nada sútis mas assim agressivos a agresssidade é algo que anima e repulsa repulsão a vida em sentido contrário palavras ao acaso desabafo mental e nada nada me convence o que teria sido a existência de milhares de pessoas se nada fosse nada nada estranho perguntar mas isso vem na minha cabeça agora justo a hora em que levanto e sei que é preciso trabalhar e trabalhar há tanta coisa por fazer mas e eu e as coisas e o mundo e minhas alucinações meus jogos de teatros meus fracassos minhas tentativas de sentir-me eu no mundo ou o mundo em mim de alguma forma não há nada estou atrasada é preciso levantar levantar para que se acordei fingindo ser quem eu nunca fui realmente e sendo o que já tinha sido mas não sendo nada e não sei o que acontece são coisas que não cessam nunca preciso do ponto final.

Paula Cristina

Desse mundo

Salve-me

Pelas tuas palavras
pelo teu doce canto
Salve-me

Por teu abrigo eterno
ternura esplêndida
Por tua compaixão
Salve-me

Pelo leve toque
livre calmo sereno
Por seu apoio
forte preciso certeiro
Pela sua cândida pureza
Salve-me

Salve-me do mundo que me engole feito um canhão, que me faz fugir das coisas, que me deixa perdida nas coisas, que faz viver em coisas e com coisas.
Salve-me dessa mundo de coisas.

Paula Cristina

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Cheia de Charme

Quando a vi
Logo ali, tão perto
Tão ao meu alcance
Tão distante, tão real
Tão bom perfume
Sei lá!...

Investi!
Tudo naquele olhar
Tantas palavras
Num breve sussurrar
Paixão assim
Não acontece todo dia...

Huuuuum!
Cheia de charme
Um desejo enorme
De se aventurar
Cheia de charme
Um desejo enorme
De revolucionar
Oh! Oh! Oh!...

Me perdi
Entre os seus cabelos
Pela sua pele
Nos seus lábios tão macios
Tão bom perfume
Sei lá!...

Investi!
Tudo naquele olhar
Tantas palavras
Num breve sussurrar
Paixão assim
Não acontece todo dia...

Huuuum!
Cheia de charme
Um desejo enorme
De se aventurar
Cheia de charme
Um desejo enorme
De revolucionar...
Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh!...

Paixão assim
Não acontece todo dia...

Huuuum!
Cheia de charme
Um desejo enorme
De se aventurar
Cheia de charme
Um desejo enorme
De revolucionar...

Cheia de charme
Um desejo enorme
De se aventurar
Oh!...

Guilherme Arantes

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Poeta Zeca

Coração no Prego

Na tabua do meu peito,
Um prego da escravidão.
Foi pregado de mau jeito,
Com o martelo da decisão.

Quem pregou foi embora,
Deixando o prego cravado,
Jogou o martelo fora,
Meu peito ficou fechado.

E o coração foi pro prego,
Pela confusão que causou.
Porque se fingiu de cego,
Não vendo o que se passou.

Agora ele paga um preço,
Que está fora da tabela.
O que vai além de um terço,
Da dívida que não cancela.

E a razão de tudo isso,
Não é fácil de entender.
É que um coração omisso,

Envolve-se com o perigo,
E como não consegue ver;
Recebe em troca o castigo.

São Bernardo do Campo/ SP junho de 09

José Alfredo – (Zeca)

sábado, 10 de outubro de 2009

Noite Estrelada

*
Estrelas pontas mil
Corações dois
*
*
Paula Cristina

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Procuro despir-me do que aprendi...


"Procuro despir-me do que aprendi. Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram, e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, desencaixotar minhas emoções verdadeiras, desembrulhar-me, e ser eu."
Fernando Pessoa

sábado, 3 de outubro de 2009

Letras


Miedo

Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da

El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor
Lenine

Gota a Gota

Cai gota a gota
A última gota de meu sangue
sangue nobre e escuro
liquido viscoso
profundo
***
Cai gota a gota
A última lágrima de sal
pura, límpida
líquido de cristal
***
***
Paula Cristina

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Boneca de pano é gente...


Bom dia!

Para dizer olá:
Para dizer oi:
Para dizer bom dia:
Para dizer boa segunda-feira:


- Vamos, menina! Há muito o que fazer!
- Tô indo já...
- Você consegue!
- Sim, eu consigo! Diga ao mundo que SIM!

sábado, 26 de setembro de 2009

Haikai V

Mãos unidas, mãos de força
Venha, vamos de mãos dadas
Sereno e sincero
-------------------------------------------------------
Paula Cristina

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara" (José Saramago)
Ensaio sobre a cegueira.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Eu te amo!

In time, I'll belong to you
That's how it's meant to be
And how it's always been

The next time around (Little Joy)

One too many goals
That measure out your worth
To seek your weight in gold

Sat by the ivory sill
The further out you look
The further out you'll be

It's not enough to set the terms
If nothing ventured, nothing earned
Though odds are set against

In time, I'll belong to you
It's how it's meant to be

Settled on your own
Sweeping dust from stones
With a letter home

Back where the hour's long
The simplest things invite a thrill
If just by noticing at will

It's not enough to set the terms
If nothing ventured, nothing earned
It's how it's always been

E onde a sorte há de te levar
Saiba, o caminho é o fim, mais que chegar
E queira o dia ser gentil
À tua mão aberta pra quem é

In time, I'll belong to you
That's how it's meant to be
And how it's always been

Música: http://letras.terra.com.br/little-joy/1373779/#traducao

L´essentiel est invisible pour les yeux

O que são erros? O que são acertos? Ou o que são experiências na vida de uma pessoa?
Experiência é experiência ou pode vir a ser um erro?
Não sei.

O passado é algo que me perturba: nunca ficamos livres de nós mesmos, dos nosso pensamentos tidos e, por vezes, mantidos.
Isso me inquieta, me assusta: o não olhar para frente, mas sim o olhar para trás.

Resolver as situações, conclui-las é temeroso... é preciso guardá-las realmente numa gaveta oculta no armário do passado longíquo e distante.

Mas o que é uma pessoa sem passado?

- Nada. Não é nada.

Mas o que é uma pessoa sem presente?

- Nada. Não é nada.

Mas o que é uma pessoa sem fututo?

- Nada. Não é nada.

Afinal, o que é viver? Viver de quê maneira? Quais pensamentos devem ser mantidos?

Minha mente é incontrolável, absoluta luta contra mim mesma. Não quero pensar! Não quero me preocupar! Eis que surge aquela gota de sangue que envenena minha alma e mortifica o meu ser.

Não saber ser, não saber controlar os passos, desatar os nós e os laços.Não saber...

O que somente aceito (talvez, é possível que eu esteja me enganando) é que l´essentiel est invisible pour les yeux, e aprendi a sim mesmo em outra língua, não na minha.

A ferro, fogo e feridas, lágrimas, devaneios e ilusões.

Iludi-me com o mundo, com as pessoas. Eu quis! Na tentativa patética de mudança, de apagar-me a mim mesma. Sofri.
Percebi, então, o que era essencial para mim, que fazia parte da minha vida...
Era algo que eu estava abandonando, ferindo, maculando.
E por quê?
Não sei. Sofro com a falta de discernimento que tive... quero limitar-me a não pensar sobre esses erros. Mas são experiências ou erros?

No meu ponto de vista filosófico, experiência.
No meu ponto de vista, erro.

Erro.

O que é a vã filosofia?
Pessoas cheias de palavras e postulações, títulos e méritos, pensamentos contra o senso comum e palavras palavras palavras alavras vras as.

Palavras!
Meu Deus! O que são palavras?

O certo é que l´essentiel est invisible pour les yeux, portanto essas palavras são inúteis para você que as lê, e inúteis para eu que escrevo, olhando-do as, mas úteis ao que é sensível, ao que me constitui, apenas se fechar os olhos... é preciso ver avec le coeur... avec le couer...

E percebi o quanto eu estava perdida e confusa ou confusa e perdida, enfim!

Hoje, não quero que o passado me assombre, destrua minha morada, mas ele ronda, ronda, com um inimigo prestes a matar-te.
Ele corta o meu ar, meu deixa neurótica, triste, rouba meus sentidos e já... já quase não vejo. Ele me guia com seus passos almadiçoados, levando me ao passado.

Não quero!

A minha vida limpa, simples, amável.

Não quero o passado!

Não quero que ele me persiga, não quero lembrar de meus erros, não quero ver as lágrimas, não quero ver os meus... os meus... os meus passos. Por que andei ali?

Fuja! Fuja pensamento. Vá embora, não me inquiete!

Como faço para resolver esta questão? Não quero que lembre, não quero lembrar, não quero, não quero.
Foi um erro, um doce amargo erro.
Doce pela aventura.
Amargo pelo sofrimento.

Sofrimento...

Não me perturbe! Não me faça lembrar... não toque no assunto. Esqueça! Imploro que esqueça... a vida está tão suave, tão leve leve, não me faça voltar, uma faca corta o meu peito: o sofrimento alheio corta-me ao meio, sinto-me não sei, sinto-me morta.

Olhe para o presente.
Olhe para o fututo.

Não me leves àquele cemitério das cinzas
mais cinzas do que qualquer outra cor.
Não me leve ao fundo do poço.
Não me faça ser o que fui e mais um pouco.
Torne-me uma pessoa e não um monstro.

Seja gentil, seja leve, tenha encanto.
Não chore
Não me faça chorar
A nuvem de ressentimentos é tanto?

Só posso dizer para que ouça na sua alma. Feche os olhos e escute como o canto mais belo que possa ousar imaginar:
L´essentiel est invisible pour les yeux.

Não veja, não retorne ao passado, não me leves consigo.
A dor já é tamanha que quase não posso dizer.
Não escute os seus maus pensamentos...
Não veja com os olhos.


Avec le coeur, car l´essentiel est invisible pour les yeux.


Paula Cristina

Não te aflijas...

Quarto Motivo da Rosa

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Cecília Meireles

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Sombras do passado

Ele tem uma incógnita na vida dele e ela percorre todo o seu caminho. Eu tenho uma incógnita na minha vida e ela me angustia, me inquieta.
Sombras de passado oriundas do inferno circulante da vida perpendicular de cada um.

Cuidar de resolver, ninguém resolve não. Algo agarratado feito botão em camisa. Feito prego no coração. E não estamos livres. Não estamos livres. Limitar-se a enganar a si próprio não é a solução: há uma incógnita na vida dele, há uma incógnita na minha vida.
Sombras de passado oriundas do inferno circulante da vida perpendicular de cada um.

Esquecer o presente, viver o passado: é o lema do dia. Incógnitas frias. Incógnitas malditas.

Sombras podres de um quase fruto mal acabado, de um quase nada ou um quase tudo - depende do que se imagina ou se tem por incógnita, mas sempre sombras, rastros de um vento agourento, destruidor de moradas e pensamentos.

Ações são pensamentos. Pensamentos são palavras. Palavras são ações. Se tudo for do passado, não existe nada, nada é concreto, nada é real, é tudo esboço, estrago, um quase arrumado torto.

Sombras de passado oriundas do inferno circulante da vida perpendicular de cada um:
Ele tem uma incógnita.


Paula Cristina

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Pois é!

ORAÇÃO DA SERENIDADE


Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária
para aceitar as coisas que não podemos modificar,
coragem para modificar aquelas que podemos e
sabedoria para distinguir umas das outras.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

!!!

adoro te dorotéia
te adoro teodora

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O que é a loucura?

Enquanto todos não se importam, eu me importo.
A loucura é a sanidade de poucos...
Paula Cristina

Queijo e Goiabada



Feito assim
Queijo
Goiabada
Ou
Goiabada
Queijo

Um salgado, outro doce.
Par feito
Por uns instantes

O sal não faz parte da goiabada
O açúcar não faz parte do queijo

E aí?

Paula Cristina

domingo, 13 de setembro de 2009

Presente de aniversário:

Busque sempre a Luz!

Eu e mim, ou mim e eu.

Eu estou em mim?
Mim mora em eu?
Eu mim mora aqui?
Aqui mim mora com eu?
Eu e mim
Mim e eu

Não sei.
Não sei se sou mais eu.
Não sei se sou mais mim.
Sei que fico
mim
eu
eu
mim

Mim não sabe nada de eu
Eu não sei nada de mim

Dupla perdida
Margens da vida.

Não sei.
Não sei se penso como eu.
Não sei se penso como mim.

Mim e eu são revoltosos.
Eu e mim são diabólicos.

Pacto compactante
de loucura e sanidade.
Deus o rio?
O Diabo a canoa?

Entre eu e mim há uma vastidão de mundos
obscuros secretos inquietos intolerantes
Entre mim e eu há uma vastidão de mundos
intolerantes inquietos secretos obscuros

Espelho maldito
Desgraça da duplicidade
Quero ser eu!
ou
Quero ser mim!

Mim está aqui fora ou dentro
Eu estou dentro ou aqui fora

Dor
Dor de cabeça insensata
Dor de estômago apodrecido
Cáucaso da alma
Abutre do infinito

- Acorrentem! Acorrentem!

Eu? Mim? Mim? Eu?
Ambos anjos caiados e caídos
Mornos de sangue adormecido

Paula Cristina

Meu Deus, o que é o homem?

O homem
O que é o homem
um monte de lixo
um monte de coisas
tralhas e trapos
fiapos quaisquer

soberba arruinada
futuro sem fim
causa errada
desespero ruim

lamentações enganosas
vaidade e loucura

O homem
O que é o homem
um monte de lixo
um monte de coisas

gente isolada
abismo de mim
egoísmo de outrora
riquezas enfim

vaidade e loucura
lamentações enganosas

O homem
o que é o homem

dor sem dizer
digo que sim
beleza inválida
cálido jasmin

lamentações e loucuras
enganosas vaidades

O homem

Meu Deus, o que é o homem?


Paula Cristina

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

O Cão sem Plumas

Na paisagem do rio
difícil é saber
onde começa o rio;
onde a lama
começa do rio;
onde a terra
começa da lama;
onde o homem,
onde a pele
começa da lama;
onde começa o homem
naquele homem.

João Cabral de Melo Neto

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Haikai IV




A generosidade dos pobres comove, emociona.
Simples atitude
Demonstração da Vida.
Paula Cristina

sábado, 5 de setembro de 2009

L´Amant (Marguerite Duras)


"... dit que c´etait comme avant,

qu´il aimait encore,

qu´il ne pourrait jamais cesser de l´aimer,

qu´il aimerait jusqu´a sa mort."


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Dor de cabeça

Dor de cabeça

Centenas de pernas bambas,
e desesperadas,
sem muita esperança;
misturam-se nos quarteirões
em busca do que vai pro ralo.
Quanto tempo nos resta,
para vermos a maravilha
dessa cidade maravilhosa?
Dar-me alguma coisa para
dor de cabeça!
Meçam a minha pressão!
Tragam-me um antídoto,
Contra mordida de fila!
Quanto tempo eu tenho?
Ah o tempo!
E essa febre me levando
ao estacionamento do resgate?

Setembro de 2009
José Alfredo (Zeca)

Lâmpadas e inteligências


As lâmpadas servem para iluminar. Para isso, são dotadas de potências de iluminação diferentes.
Há lâmpadas de 60 watts, de 100 watts, de 150 watts... Esse número em watts diz o poder de iluminação da lâmpada.
Também as inteligências servem para iluminar.
Nos gibis, o desenhista, para dizer que um personagem teve uma boa ideia, desenha uma lâmpada acesa sobre a sua cabeça.
As inteligências, à semelhança das lâmpadas, também têm potências de iluminação diferentes.
Os homens inventaram testes para medir a “wattagem” das inteligências.
Ao poder de iluminação das inteligências deram o nome de “QI”, coeficiente de inteligência.
As inteligências não são iguais. Pessoas a quem os testes inventados pelos homens atribuíram um QI 200, têm um poder muito grande para iluminar.
Alguns, para se gabar, chegam a mostrar sua carteirinha, dizendo que sua inteligência tem uma “wattagem” alta.
Mas, nós não olhamos para as lâmpadas. As lâmpadas não são para serem vistas. As lâmpadas valem pelas cenas que iluminam e não pelo brilho.
Olhar diretamente para a lâmpada ofusca a visão.
Há inteligências de “wattagem” 200 que só iluminam esgotos e cemitérios. E há inteligências modestas, como se fossem nada mais do que a chama de uma vela, que iluminam sorrisos.
Uma lâmpada não tem vontade própria. Ela ilumina o objeto que o seu dono escolhe para ser iluminado.
A inteligência, como as lâmpadas, não tem vontade própria. Ela ilumina os objetos que o coração do seu dono determina que sejam iluminados.
A inteligência de quem ama dinheiro ilumina dinheiro, a inteligência dos criminosos ilumina o crime, a inteligência dos artistas ilumina a beleza.
A inteligência é mandada. Só lhe compete obedecer.


Rubem Alves

terça-feira, 1 de setembro de 2009

sábado, 29 de agosto de 2009

O Amor e o Poder (The Power of Love)


A música na sombra,
o ritmo no ar
Um animal que ronda
no véu do luar
Eu saio dos seus olhos
eu rolo pelo chão
Feito um amor que queima
magia negra
Sedução

Como uma deusa
você me mantém
E as coisas que você me diz
Me levam além

Aqui nesse lugar
Não há rainha ou rei
Há uma mulher e um homem
Trocando sonhos fora da lei

Como uma deusa
você me mantém
E as coisas que você me diz
Me levam além
Tão perto das lendas,
tão longe do fim
A fim de dividir
no fundo do prazer
o amor e o poder

A música na sombra
o ritmo no ar
um animal que ronda
no véu do luar

Tão perto das lendas,
tão longe do fim
A fim de dividir
no fundo do prazer
o amor e o poder

Como uma deusa
(me leva amor)
você me mantém
(longe do fim)
E as coisas que você me diz
Me levam além
Tão perto das lendas,
(me leva amor)
tão longe do fim
(longe do fim)
A fim de dividir
no fundo do prazer
o amor e o poder




Interpretado por Rosana Fiengo

Xote Swingado (Rastapé)

vou viajando nos teus sonhos
vou me ajeitando no teu coração
vou chamegando no balanço do teu corpo
e a pouco a pouco me derreto de suor
pois no forró não se dança lado a lado
tem que ter corpo colado
tem que ter uma pequena
para passar a noite toda coladinho
no suor do teu corpinho
muita coisa a gente inventa
vem, pequena, dançar de rosto colado
põe remelexo nesse xote swingado
vem, querida, pode balançar com jeito
que seu lugar é aqui junto do meu peito

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Pergunte!

Pergunte ao catador
quando choveu

Pergunte ao garimpeiro
o valor do ouro

Pergunte à mulher
o sabor da guerra

Pergunte!

Paula Cristina

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Amor

CONSTÂNCIA PACIÊNCIA TOLERÂNCIA
Paula Cristina

África

Não há muros
Não há o quê se lamentar
Paredes de corpos caídos
África

Não há nada
Não há o quê questionar
Miséria seca
África

Não há céus
Não há o quê vislumbrar
Ignóbil diferença
África

Paula Cristina

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

III Haikai


O inverno chegou
A primavera virá
Vida



Paula Cristina

No brejo das almas

"No brejo das almas"

Escrevi seu nome
no brejo
no brejo das almas

entre palavras-poemas
entre poemas-palavras

Escrevi seu nome
no brejo
no brejo das almas

Paula Cristina

Infância

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Revoadas

Revoadas
João Alfredo (Zeca)

Mil saudades
Tortura brava alma
Que tenta
Proteger um corpo
Solitário que ama

Ama virtualmente
Qual uma imagem
Transportada
Pelo desassossego
Que lhe rouba o sono

Tenta abriga-se
Em revoadas fantasias
Entre paredes
De um quarto incolor

Isso foi apenas
Uma nuvem de amor
Que se escondeu no silêncio.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Um desabafo...

Um desabafo...


estou altamente desmotivado
hoje,
não estou conseguindo
me concentrar
Tenho tantas coisas na cabeça
e nenhuma tem sentido
ou estão incompletas
ou são impossíveis.
Queria fazer coisas
que não posso
aqui
ou
em lugar nenhum.
Sinto como se algo me faltasse.

Que inferno é esse?

Fabio Bernardinelli

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O ciclo da vida é um rio



Ontem eu li num belo blog o texto do rio (esse que postei antes desse). Esse pequenino texto me fez pensar muita coisa: o tempo foge das nossas mãos. E o que fazemos? Nós machucamos os nossos amigos com as espinhosas e árduas palavras que não deveriam ser pronunciadas, mas... é o que fazemos. Nós, nós também brigamos á toa, ficamos com raiva e o tempo contando 10 9 8 7 6 5 4 3 2 e morte. A morte não é o zero, acho que ela é o número 1: é o recomeço de algo que não entendo ou não queira entender...

É por isso que a vida é um rio: não pára (com acento, porque essa nova regra ortográfica é ridícula!). Um rio vai ao encontro de outras águas, que evaporam, que tornam a ser águas. É um ciclo infinito: o ciclo da vida.

Paula Cristina

viver é um rio

viver é um rio...

não, eu não estou refeita. seguimos respirando vivo, mesmo sem condição. é que esta jornada me toma sempre de uma obrigação: quero entender.
mas eu não entendo nada! as coisas, antes que eu possa alcançá-las, mudam de cor, mudam a textura, mudam de lugar, de nome.
vagueio meu próprio coração (acho que é a primeira vez que uso esta palavra em meus escritos, veja só! que curioso...), e escrevo para me salvar do escuro, é o que faço com as palavras: me salvo.
então decido contar porque necessito encontrar uma paz, porque necessito aliviar-me das imagens que tomaram meus dias e para talvez significar, mesmo sem entender, pois afinal eu sei: não se pode entender, não tudo. e mesmo não importa, nada é definitivo neste nosso entendimento das coisas.
me recolho porque do lado de fora de mim não há.
converso com as palavras, sentada do lado de fora, onde há um silêncio dentro, um que me invade e me serena.
há a chuva que me desconsola. serão longos os dias. espero que a primavera venha antes mesmo que o inverno acabe.
...
viver é rio, a gente escoa, sem condição.

já é agosto!

Visitem: ocadernodeescrita.blogspot.com

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Bandolins

Bandolins
Oswaldo Montenegro

Como fosse um par que
Nessa valsa triste
Se desenvolvesse
Ao som dos Bandolins...

E como não?
E por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim...

Seu colo como
Se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio
Se dançar assim
Ela teimou e enfrentou
O mundo
Se rodopiando ao som
Dos bandolins...

Como fosse um lar
Seu corpo a valsa triste
Iluminava e a noite
Caminhava assim
E como um par
O vento e a madrugada
Iluminavam a fada
Do meu botequim...

Valsando como valsa
Uma criança
Que entra na roda
A noite tá no fim
Ela valsando
Só na madrugada
Se julgando amada
Ao som dos Bandolins...

Quando a gente ama

Quando a gente ama
Oswaldo Montenegro

Quem vai dizer ao coração,
Que a paixão não é loucura
Mesmo que pareça
Insano acreditar

Me apaixonei por um olhar
Por um gesto de ternura
Mesmo sem palavra
Alguma pra falar

Meu amor,a vida passa num instante
E um instante é muito pouco pra sonhar

Quando a gente ama,
Simplesmente ama
É impossível explicar
Quando a gente ama
Simplesmente ama!

A um amigo

“A um amigo”


.Há um mistério oculto.

Eis que escrevo teu nome
E não tuas letras
Tuas sonóricas letras
Com notas caídas de piano

O compasso me diz que horas são
Mas não há relógios por aqui
Há um clic que marca os segundos
Segundos dos livros e das letras amadas

Há uma música no fundo desta sala
E cores em volta de tudo
Há um mistério oculto

Tua letra me diz quem é
Não. Escrevo teu nome.

.Há um mistério oculto.


Paula Cristina