
sexta-feira, 16 de julho de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Frágil
______________
É difícil ser humano. E ter de chorar. É difícil convencer-se de que não há ponto final e que nada que faça vai mudar o que fora feito antes. Que a fragilidade nos alcança. E nos corta punhos e corações. E nos deixa amendrontado. Frágil. Sem muro de arrimo nenhum. Sem certeza das palavras. Sem certeza dos pensamentos. Pré-julgamentos voláteis. Pré-vida.
A única certeza é de que não há certezas.
E o mundo nos consome. Nos torce. Nos enrola. Nos amassa. Nos derruba. Nos mata. Em nós mesmo a sede de morte de um dia inseguro derrubado pelo sono ininterrupto, mas leve e sem sonhos. A morte de um ser frágil é um pedaço de pequenez. É um cisco. É um nada. Ações mal compreendidas ou mal feitas ou mal acabadas ou mal pensadas ou mal agidas ou más. Maldade, fragilidade do homem. Tanto e nada. Frágil.
______________
PAULA CRISTINA
sábado, 26 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Céu de Santo Amaro
Olho para o céu
Tantas estrelas dizendo da imensidão
Do universo em nós
A força desse amor
Nos invadiu...
Com ela veio a paz, toda beleza de sentir
Que para sempre uma estrela vai dizer
Simplesmente amo você...
Meu amor..
Vou lhe dizer
Quero você
Com a alegria de um pássaro
Em busca de outro verão
Na noite do sertão
Meu coração só quer bater por ti
Eu me coloco em tuas mãos
Para sentir todo o carinho que sonhei
Nós somos rainha e rei
Na noite do sertão
Meu coração só quer bater por ti
Eu me coloco em tuas mãos
Para sentir todo o carinho que sonhei
Nós somos rainha e rei
Olho para o céu
Tantas estrelas dizendo da imensidão
Do universo em nós
A força desse amor nos invadiu...
Então...
Veio a certeza de amar você...
Tantas estrelas dizendo da imensidão
Do universo em nós
A força desse amor
Nos invadiu...
Com ela veio a paz, toda beleza de sentir
Que para sempre uma estrela vai dizer
Simplesmente amo você...
Meu amor..
Vou lhe dizer
Quero você
Com a alegria de um pássaro
Em busca de outro verão
Na noite do sertão
Meu coração só quer bater por ti
Eu me coloco em tuas mãos
Para sentir todo o carinho que sonhei
Nós somos rainha e rei
Na noite do sertão
Meu coração só quer bater por ti
Eu me coloco em tuas mãos
Para sentir todo o carinho que sonhei
Nós somos rainha e rei
Olho para o céu
Tantas estrelas dizendo da imensidão
Do universo em nós
A força desse amor nos invadiu...
Então...
Veio a certeza de amar você...
sábado, 22 de maio de 2010
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Constância das palavras
Dizer o que digo:
é fato.
é fato.
Transcender o fato:
é um f e i t o
*
Desafiar a si mesmo
na busca incessante
de sentido
**
Brotar das letras
Proteger a incógnita
***
Constância das palavras
________________________________
Paula Cristina
sábado, 15 de maio de 2010
Poema a partir de uma imagem:
As árvores que cercam
Fecham o mundo
Ideias suspensas
Perdidas
Caidas
Sem rumo
Paula Cristina
(Oficina de Poesia)
sexta-feira, 14 de maio de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
Fracasso
se acaso fosse
fosse um fracasso
fracasso seriaseria se acaso fosse
Se fosse
Fosse
Fracasso
Se acaso fosse
Seria
Fracasso se acaso fosse
Paula Cristina
sexta-feira, 23 de abril de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
Deus me Proteja
Deus Me Proteja
Chico César
Deus me proteja de mim e da maldade de gente boa.
Da bondade da pessoa ruim
Deus me governe e guarde ilumine e zele assim
Deus me proteja de mim e da maldade de gente boa.
Da bondade da pessoa ruim
Deus me governe e guarde ilumine e zele assim
Caminho se conhece andando
Então vez em quando é bom se perder
Perdido fica perguntando
Vai só procurando
E acha sem saber
Perigo é se encontrar perdido
Deixar sem ter sido
Não olhar, não ver
Bom mesmo é ter sexto sentido
Sair distraído espalhar bem-querer
Chico César
Deus me proteja de mim e da maldade de gente boa.
Da bondade da pessoa ruim
Deus me governe e guarde ilumine e zele assim
Deus me proteja de mim e da maldade de gente boa.
Da bondade da pessoa ruim
Deus me governe e guarde ilumine e zele assim
Caminho se conhece andando
Então vez em quando é bom se perder
Perdido fica perguntando
Vai só procurando
E acha sem saber
Perigo é se encontrar perdido
Deixar sem ter sido
Não olhar, não ver
Bom mesmo é ter sexto sentido
Sair distraído espalhar bem-querer
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Igualdade
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Sonhos
"Sem sonhos, a vida não tem brilho.
Sem metas, os sonhos não têm alicerces.
Sem prioridades, os sonhos não se tornam reais.
Sonhe, trace metas, estabeleça prioridades..."
(Augusto Cury)
terça-feira, 30 de março de 2010
sexta-feira, 26 de março de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
Que vontade que tenho
de deitar e deitar, de chorar até o amanhecer, de chorar todas as lágrimas dos mundos, de dormir um sono que não pudesse ser acordado, de ter me comigo inteira, nua e inteira, de ser e respirar com alívio um ar puro de honestidade.
de iluminar-me com a Paz, a paz de Deus e de todos os homens, a paz das almas, dos cânticos enamorados dos anjos... a Paz.
de iluminar-me com a Paz, a paz de Deus e de todos os homens, a paz das almas, dos cânticos enamorados dos anjos... a Paz.
Não me leias...
Não me leias se buscas
flamante novidade
ou sopro de Camões.
Aquilo que revelo
e o mais que segue oculto
em vítreos alçapões
são notícias humanas,
simples estar-no-mundo,
e brincos de palavra,
um não-estar-estando
Carlos Drummond de Andrade
flamante novidade
ou sopro de Camões.
Aquilo que revelo
e o mais que segue oculto
em vítreos alçapões
são notícias humanas,
simples estar-no-mundo,
e brincos de palavra,
um não-estar-estando
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 13 de março de 2010
Pergunta:
Nós somos perfurados pelas experiências?
(achei esta pergunta de uma simplicidade e beleza sem tamanho. Farei um poema quando for respondê-la...)
quinta-feira, 4 de março de 2010
SE...
acordo sonhando
sonhando acordado
se acordo
se sonho
se realizo
se faço
não sei se fico
ou se passo
inconstante
constante
delírio da alma
suspiro do âmago
Profundo
incessante
segredo
sem resposta
sem nada.
Paula Cristina
poema em resposta "Acordo Sonhando", por Meier
sonhando acordado
se acordo
se sonho
se realizo
se faço
não sei se fico
ou se passo
inconstante
constante
delírio da alma
suspiro do âmago
Profundo
incessante
segredo
sem resposta
sem nada.
Paula Cristina
poema em resposta "Acordo Sonhando", por Meier
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Solidão
Tem dias que a gente não se reconhece
Tem dias que a gente não sabe exatamente quem é
Uma tentativa falida de explicar-se
O querer fazer parte do mundo
O sentir necessitado do outro,
da voz do outro,
do olhar do outro,
do corpo do outro.
A solidão é angustiante.
Crua.
Verdadeira.
Não há o que explicar
É fato, estamos sós
A contemplar um mundo de solitários
A buscar um solitário pra si.
É triste ser só, sozinho
O ideal é ser só, mas junto
A solidão se distancia, fica miúda
pequena, mas ainda é solidão.
E ninguém entende aquele que disse
ser solitário andar por entre as gentes
e nunca contentar-se de contente.
É uma dor que desafia
que estremece.
E assim caminhamos
Mãos dadas
Cada perna para um lado
Na tentativa de não sentir-se só.
Na estúpida tentativa de não reconhecer-se só.
.Você está sozinho.
Dor mais profunda:
Verdadeira, única.
PAULA CRISTINA
Tem dias que a gente não sabe exatamente quem é
Uma tentativa falida de explicar-se
O querer fazer parte do mundo
O sentir necessitado do outro,
da voz do outro,
do olhar do outro,
do corpo do outro.
A solidão é angustiante.
Crua.
Verdadeira.
Não há o que explicar
É fato, estamos sós
A contemplar um mundo de solitários
A buscar um solitário pra si.
É triste ser só, sozinho
O ideal é ser só, mas junto
A solidão se distancia, fica miúda
pequena, mas ainda é solidão.
E ninguém entende aquele que disse
ser solitário andar por entre as gentes
e nunca contentar-se de contente.
É uma dor que desafia
que estremece.
E assim caminhamos
Mãos dadas
Cada perna para um lado
Na tentativa de não sentir-se só.
Na estúpida tentativa de não reconhecer-se só.
.Você está sozinho.
Dor mais profunda:
Verdadeira, única.
PAULA CRISTINA
sábado, 20 de fevereiro de 2010
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Lua Canção Floresta Paz (Palavras Perdidas I)
Na floresta da noite
existe um medo
é um medo maior
é o medo do desejo
Nesta canção desprovida
há uma nota perdida
não rima, não diz nada
já não traz mais em si a vida
Na paz de outrora
eu escutei aquele ruído
era um som absurdo
que beirava ao misticismo
Nesta floresta sem canção sem paz
dorme uma lua autêntica
ela é quem guia
os passos dos pobres mortais
Paula Cristina
existe um medo
é um medo maior
é o medo do desejo
Nesta canção desprovida
há uma nota perdida
não rima, não diz nada
já não traz mais em si a vida
Na paz de outrora
eu escutei aquele ruído
era um som absurdo
que beirava ao misticismo
Nesta floresta sem canção sem paz
dorme uma lua autêntica
ela é quem guia
os passos dos pobres mortais
Paula Cristina
domingo, 7 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Não saber como frear as lágrimas
Não saber como frear as lágrimas
diante de uma música,
não saber como vencer a dor de um
silêncio que nada preenche.
Martha Medeiros
diante de uma música,
não saber como vencer a dor de um
silêncio que nada preenche.
Martha Medeiros
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Florbela Espanca
Mas que eu não era Eu não o sabia
mesmo que o soubesse, o não dissera...
Olhos fitos em rútila quimera
Andava atrás de mim... e não me via!
Florbela Espanca
mesmo que o soubesse, o não dissera...
Olhos fitos em rútila quimera
Andava atrás de mim... e não me via!
Florbela Espanca
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
amarosaamar
amar
rosa
espaço
terra
água
luz
sombra
chuva
paciência
cuidado
carinho
caule
folhas
espinhos
flor
rosa
amar
Paula Cristina
rosa
espaço
terra
água
luz
sombra
chuva
paciência
cuidado
carinho
caule
folhas
espinhos
flor
rosa
amar
Paula Cristina
Fragmentos
Por que tanta confusão nesse pequeno espaço central? Ou há muito entulho ou não há nada!
Oras, raiva e raiva! Para que tanta pasmadice, tanta boberagem, tanta hipocrisia e um tantão de falsidade. A rima fica perfeita, mas pérfida, podre e nojenta.
Ah! Mundo mundo vasto mundo, mundo cheio de lixo e de gente. Gente ou lixo? Lixo ou gente? Não sei. Não sei. Miséria indevida, status alheio, cores e flores roubadas da filha de um pseudo-jardineiro. Ele diz que é jardineiro. É? Não, não é. Tem tanta gente que se diz tanta coisa e essa coisa não passa do grande nada. Nada! São uns nada. É isso que são! Uns bandos de nada!
E essa pedra aqui? Ainda aqui? Pra quê? Oh, meu Deus! Livrai-me do mal e de todas as pedras. Amém!
Dia 05, 06, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22,23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32. Não há 32!
Passar na esquina, comprar manteiga, pegar os ovos, fechar a bolsa, ligar o carro.
Passar o carro na manteiga, comprar a bolsa, pegar a esquina e ligar os ovos...
Eu não lembro o que devo fazer...
Olá, oi, bom dia, até logo, olá, oi, bom dia, boa tarde, com licença, por gentileza, senhora, boa tarde, bom dia, boa noite, oi, olá
350,00 +700,00 -350,00 -20,00 +58,00-450,00-1000,00 +0,45
Pra que ser assim? Peça perdão!
toc, toc, toc. Tem alguém aí?
Não sei.
Pra que tanta coisa nesse pequeno espaço central?
Há muito entulho!
Paula Cristina
Oras, raiva e raiva! Para que tanta pasmadice, tanta boberagem, tanta hipocrisia e um tantão de falsidade. A rima fica perfeita, mas pérfida, podre e nojenta.
Ah! Mundo mundo vasto mundo, mundo cheio de lixo e de gente. Gente ou lixo? Lixo ou gente? Não sei. Não sei. Miséria indevida, status alheio, cores e flores roubadas da filha de um pseudo-jardineiro. Ele diz que é jardineiro. É? Não, não é. Tem tanta gente que se diz tanta coisa e essa coisa não passa do grande nada. Nada! São uns nada. É isso que são! Uns bandos de nada!
E essa pedra aqui? Ainda aqui? Pra quê? Oh, meu Deus! Livrai-me do mal e de todas as pedras. Amém!
Dia 05, 06, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22,23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32. Não há 32!
Passar na esquina, comprar manteiga, pegar os ovos, fechar a bolsa, ligar o carro.
Passar o carro na manteiga, comprar a bolsa, pegar a esquina e ligar os ovos...
Eu não lembro o que devo fazer...
Olá, oi, bom dia, até logo, olá, oi, bom dia, boa tarde, com licença, por gentileza, senhora, boa tarde, bom dia, boa noite, oi, olá
350,00 +700,00 -350,00 -20,00 +58,00-450,00-1000,00 +0,45
Pra que ser assim? Peça perdão!
toc, toc, toc. Tem alguém aí?
Não sei.
Pra que tanta coisa nesse pequeno espaço central?
Há muito entulho!
Paula Cristina
sábado, 16 de janeiro de 2010
- Os homens...
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Lugares Proibidos
Eu gosto do claro quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby, com você já, já
Mande um buquê de rosas, rosa ou salmão
Versos e beijos e o seu nome no cartão
Me leve café na cama amanhã
Eu finjo que eu não esperava
Gosto de fazer amor fora de hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem datas
Chega mais cedo amor
Eu finjo que eu não esperava
Eu gosto da falta quando falta mais juízo em nós
E de telefone, se do outro lado é a sua voz
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby com você chegando já
Helena Elis
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo o que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby, com você já, já
Mande um buquê de rosas, rosa ou salmão
Versos e beijos e o seu nome no cartão
Me leve café na cama amanhã
Eu finjo que eu não esperava
Gosto de fazer amor fora de hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem datas
Chega mais cedo amor
Eu finjo que eu não esperava
Eu gosto da falta quando falta mais juízo em nós
E de telefone, se do outro lado é a sua voz
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby com você chegando já
Helena Elis
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
sábado, 2 de janeiro de 2010
palavras fugidias
fugitivas
fugidas
palavras fugidias
ando sem tempo
ando sem brilho
a morte cumprimenta-me solenemente
na escuridão da caverna profunda do ser
e as palavras
ainda fugidias
teimam em responder
fugitivas
fugidas
palavras fugidias
Paula Cristina
fugidas
palavras fugidias
ando sem tempo
ando sem brilho
a morte cumprimenta-me solenemente
na escuridão da caverna profunda do ser
e as palavras
ainda fugidias
teimam em responder
fugitivas
fugidas
palavras fugidias
Paula Cristina
Sopro de Vida
"Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida. Viver é uma espécie de loucura que a morte faz. Vivam os mortos porque neles vivemos."
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Do Muito e do Pouco
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
É muito quadro pr'uma parede
É muita tinta pr'um só pincel
É pouca água pra muita sede
Muita cabeça pr'um só chapéu
Muita cachaça pra pouco leite
Muito deleite pra pouca dor
É muito feio pra ser enfeite
Muito defeito pra ser amor
É muita rede pra pouco peixe
Muito veneno pra se matar
Muitos pedidos pra que se deixe
Muitos humanos a proliferar
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
É muito quadro pr'uma parede
É muita tinta pr'um só pincel
É pouca água pra muita sede
Muita cabeça pr'um só chapéu
Muita cachaça pra pouco leite
Muito deleite pra pouca dor
É muito feio pra ser enfeite
Muito defeito pra ser amor
É muita rede pra pouco peixe
Muito veneno pra se matar
Muitos pedidos pra que se deixe
Muitos humanos a proliferar
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
Oswaldo Montenegro
Imagine quem tem os dois
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
É muito quadro pr'uma parede
É muita tinta pr'um só pincel
É pouca água pra muita sede
Muita cabeça pr'um só chapéu
Muita cachaça pra pouco leite
Muito deleite pra pouca dor
É muito feio pra ser enfeite
Muito defeito pra ser amor
É muita rede pra pouco peixe
Muito veneno pra se matar
Muitos pedidos pra que se deixe
Muitos humanos a proliferar
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
É muito quadro pr'uma parede
É muita tinta pr'um só pincel
É pouca água pra muita sede
Muita cabeça pr'um só chapéu
Muita cachaça pra pouco leite
Muito deleite pra pouca dor
É muito feio pra ser enfeite
Muito defeito pra ser amor
É muita rede pra pouco peixe
Muito veneno pra se matar
Muitos pedidos pra que se deixe
Muitos humanos a proliferar
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
Se em terra de cego quem tem um olho é rei
Imagine quem tem os dois
Oswaldo Montenegro
Último
é assim.
novas andanças.
novos trilhares.
despedida, enfim.
triste não fico.
vou porque quero.
saudades, talvez.
momentos, talvez.
parede, pó, pia, planta.
tudo em mim.
digo adeus
para um passo maior
desabrochar é preciso.
como diria o poeta
tudo passa.
tudo passa.
e chega a vez...
último dia.
último momento.
última palavra.
O último é o infinito recomeço.
Paula Cristina
novas andanças.
novos trilhares.
despedida, enfim.
triste não fico.
vou porque quero.
saudades, talvez.
momentos, talvez.
parede, pó, pia, planta.
tudo em mim.
digo adeus
para um passo maior
desabrochar é preciso.
como diria o poeta
tudo passa.
tudo passa.
e chega a vez...
último dia.
último momento.
última palavra.
O último é o infinito recomeço.
Paula Cristina
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Depois de tanto tempo,
volto a escrever.
Depois de tanto tempo.
Calendários e datas que correm.
Cabeças que voam.
Tempo que mata.
Escrever é a única coisa que me salva.
Completamente.
Salvação única, exclusiva minha, pois que são minhas palavras.
E de ninguém mais.
Paula Cristina
Depois de tanto tempo.
Calendários e datas que correm.
Cabeças que voam.
Tempo que mata.
Escrever é a única coisa que me salva.
Completamente.
Salvação única, exclusiva minha, pois que são minhas palavras.
E de ninguém mais.
Paula Cristina
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Brincando com o português
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Questionamentos Fragmentados
Ando sem tempo... Ou o tempo anda sem mim?
Parece que a vida parou... Ou eu estou parada?
Não sei. Não sei. Tudo é tão corrido e tão corriqueiro que não se percebe a vida, não se percebe que tudo está acontecendo.
Uma aranha tece a teia, uma borboleta bate as asas, uma pessoa morre, outra nasce. É assim. E não é percebido. O mais grotesco é que nada é percebido. Nada. Nem mesmo nós mesmos...
Paula Cristina
Parece que a vida parou... Ou eu estou parada?
Não sei. Não sei. Tudo é tão corrido e tão corriqueiro que não se percebe a vida, não se percebe que tudo está acontecendo.
Uma aranha tece a teia, uma borboleta bate as asas, uma pessoa morre, outra nasce. É assim. E não é percebido. O mais grotesco é que nada é percebido. Nada. Nem mesmo nós mesmos...
Paula Cristina
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Escutei
... de certa pessoa: "eu não quero o mal desta pessoa. Eu quero o meu bem". Como podemos querer o nosso bem, causando mal ao outro?
terça-feira, 17 de novembro de 2009
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Anniversarius
Ontem foi o meu aniversário e também o de meu pai: aniversário duplo.
Recomeço e mudança.
Meu ano novo começa agora.
Faço metas, mudo a agenda.
Jogo a antiga fora.
Rasgo folhas e viro a página.
Ciclo novo.
***
Paula Cristina
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Desejo
Olhares e sentidos
Olhares e apertos
Desejo.
Bocas e vontade
Bocas e delírios
Desejo.
Pernas e braços
Cabelos e peles
Desejo.
Sorrisos e lágrimas
Alma e corpo
Amor.
Paula Cristina
Olhares e apertos
Desejo.
Bocas e vontade
Bocas e delírios
Desejo.
Pernas e braços
Cabelos e peles
Desejo.
Sorrisos e lágrimas
Alma e corpo
Amor.
Paula Cristina
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
As Palavras Poupadas
Levanta-se da mesa. Lá fora, num relógio qualquer, batem duas horas. Daí a momentos, daí a uma eternidade, levantar-se-á da mesa outra vez. E amanhã. E depois. E daí a muitos anos. Tudo morre à noite, dizia Claude. Mas não, a vida é longa, desliza e escorre sem uma quebra. Uma sucessão de acontecimentos, uma corrente sem fim de palavras ditas e de palavras poupadas. Dessas principalmente.
As Palavras Poupadas, 1961
Maria Judite de Carvalho
As Palavras Poupadas, 1961
Maria Judite de Carvalho
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
A travessia
Tempestuosa é a nossa travessia.
A vida é diferente ao cruzar a ponte.
Elos de mudança.
Tempestuosa é a nossa travessia
Que teremos de um dia fazê-la
Não penses que é a morte
Não é.
Estou falando da vida.
A vida é diferente ao cruzar a ponte.
Nem melhor nem pior.
Apenas outra.
Outra vida.
Eu poderia dizer
Eu não sou tão forte assim
Para ser
Tenho medo de perder-me
Você pode dizer o que quiser
E pensar da maneira como quiser
It´s only.
But it´s the Life.
É a travessia.
Paula Cristina
A vida é diferente ao cruzar a ponte.
Elos de mudança.
Tempestuosa é a nossa travessia
Que teremos de um dia fazê-la
Não penses que é a morte
Não é.
Estou falando da vida.
A vida é diferente ao cruzar a ponte.
Nem melhor nem pior.
Apenas outra.
Outra vida.
Eu poderia dizer
Eu não sou tão forte assim
Para ser
Tenho medo de perder-me
Você pode dizer o que quiser
E pensar da maneira como quiser
It´s only.
But it´s the Life.
É a travessia.
Paula Cristina
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Lua e Flor
Eu amava como amava um cantor
De qualquer clichê, de cabaré, de lua e flor.
Eu sonhava como a feia na vitrine,
Como carta que se assina em vão.
Eu amava como amava um sonhador,
Sem saber porque, e amava ter no coração
A certeza ventilada de poesia
De que o dia amanhece, não.
Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar.
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te encontrar,
Se soubesse como te encontrar
Oswaldo Montenegro
De qualquer clichê, de cabaré, de lua e flor.
Eu sonhava como a feia na vitrine,
Como carta que se assina em vão.
Eu amava como amava um sonhador,
Sem saber porque, e amava ter no coração
A certeza ventilada de poesia
De que o dia amanhece, não.
Eu amava como amava um pescador
Que se encanta mais com a rede que com o mar.
Eu amava como jamais poderia
Se soubesse como te encontrar,
Se soubesse como te encontrar
Oswaldo Montenegro
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Um poema escrito e reescrito
Latim versus
Puella amat
Rosae
Amor,
Quando eu te vi pela primeira vez
Não soube o que era.
Desejo. Devaneio. Loucura.
Não era.
Era Amor.
Latim versus
Puella amat
Rosae
(A ideia central do poema, a 2ª estrofe, foi escrita numa "barriga")
Paula Cristina
Puella amat
Rosae
Amor,
Quando eu te vi pela primeira vez
Não soube o que era.
Desejo. Devaneio. Loucura.
Não era.
Era Amor.
Latim versus
Puella amat
Rosae
(A ideia central do poema, a 2ª estrofe, foi escrita numa "barriga")
Paula Cristina
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Atestado
Eu, L´essentiel est invisible pour les yeux, atesto, para fins emocionais, que Mon amour está sob constante atendimento neste órgão, digo coração.
Declaro ainda que Mon amour precisa de 100 anos de alegrias, paz e amor junto a L´essentiel est invisible pour les yeux.
Sem mais,
SBCampo, __ / __/ __
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Jesus numa moto
Sá, Rodrix & Guarabyra
Composição: Zé Rodrix
Preso nessa cela
De ossos, carne e sangue,
Dando ordens a quem não sabe,
Obedecendo a quem tem,
Só espero a hora,
Nem que o mundo estanque,
Prá me aproveitar do conforto,
De não ser mais ninguém.
Eu vou virar a própria mesa,
Quero uivar numa nova alcatéia,
Vou meter um "marlon brando" nas idéias,
E sair por aí,
Prá ser jesus numa moto,
Che guevara dos acostamentos,
Bob dylan numa antiga foto,
Cassius clay antes dos tratamentos,
John lennon de outras estradas,
Easy rider, dúvida e eclipse,
São tomé das letras apagadas,
E arcanjo gabriel sem apocalipse.
Nada no passado,
Tudo no futuro,
Espalhando o que já está morto,
Pro que é vivo crescer,
Sob a luz da lua,
Mesmo com sol claro,
Não importa o preço que eu pague,
O meu negócio é viver,
Sob a luz da lua...
Mesmo com sol claro...
Preso nesta cela...
Composição: Zé Rodrix
Preso nessa cela
De ossos, carne e sangue,
Dando ordens a quem não sabe,
Obedecendo a quem tem,
Só espero a hora,
Nem que o mundo estanque,
Prá me aproveitar do conforto,
De não ser mais ninguém.
Eu vou virar a própria mesa,
Quero uivar numa nova alcatéia,
Vou meter um "marlon brando" nas idéias,
E sair por aí,
Prá ser jesus numa moto,
Che guevara dos acostamentos,
Bob dylan numa antiga foto,
Cassius clay antes dos tratamentos,
John lennon de outras estradas,
Easy rider, dúvida e eclipse,
São tomé das letras apagadas,
E arcanjo gabriel sem apocalipse.
Nada no passado,
Tudo no futuro,
Espalhando o que já está morto,
Pro que é vivo crescer,
Sob a luz da lua,
Mesmo com sol claro,
Não importa o preço que eu pague,
O meu negócio é viver,
Sob a luz da lua...
Mesmo com sol claro...
Preso nesta cela...
Aprenda
"Aprenda que uma pessoa pode ferir seu corpo,
mas jamais poderá ferir sua emoção, a não ser que você permita."
Augusto Cury
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Almeida Faria
"...todos os dias ali pessoas pagam promessas a um Deus que não as ouve e que perseguem..."
p. 72
***
"...porque não serei eu nunca um homem novo? durmo, velo, sonho, lembro; a vida é isto: tempo."
p. 76
***
"... deus, tem piedade dos que arrotam de fome, salva-os ao menos, como esperam, desta pocilga..."
p.81
***
"... que os homens, ao deitarem-se nas duras camas do trabalho em que as mulheres, magras e pacientes de calma permanência, de aflita espera, esperam, são mais ternos para elas e a elas prometem, cheios duma esperança abstracta, um futuro melhor de paz e pão..."
p.111
***
"... nunca compreendeu que, na tacanha sociedade arcaica em que vivia, a mulher é aquilo que o homem fizer dela, e ele fez dela um corpo apático, favorecendo e completando assim uma educação medieval..."
p.125
"... nunca compreendeu que, na tacanha sociedade arcaica em que vivia, a mulher é aquilo que o homem fizer dela, e ele fez dela um corpo apático, favorecendo e completando assim uma educação medieval..."
p.125
***
"... a casa túmulo da vida, a noite túmulo da casa..."
p. 143
***
FARIA, Almeida. A paixão. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.
"... a casa túmulo da vida, a noite túmulo da casa..."
p. 143
***
FARIA, Almeida. A paixão. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1988.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
domingo, 25 de outubro de 2009
Terceira
Amamos.
Somos queridos.
Somos amados.
Somos.
"... não há mais tempo para incertezas, brigas, ciúmes e bobagens. O amor existe e eu o encontrei..."
Paula Cristina
Somos queridos.
Somos amados.
Somos.
"... não há mais tempo para incertezas, brigas, ciúmes e bobagens. O amor existe e eu o encontrei..."
Paula Cristina
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
É preciso amar
É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Por que se você parar
Prá pensar
Na verdade não há...
...
Sou a gota d´água
Sou um grão de areia
Legião Urbana
Como se não houvesse amanhã
Por que se você parar
Prá pensar
Na verdade não há...
...
Sou a gota d´água
Sou um grão de areia
Legião Urbana
Segunda
Fogo
Fogo
Explosão
Dinamite
Surpresa
Liberdade
Aventuras
Segredo
..." e assim sei lá. Era uma paixão louca, devoradora, arrebentadora, tempestades e trovões, loucuras mil, segredos secretos. Éramos doidos, éramos livres."
Paula Cristina
Fogo
Explosão
Dinamite
Surpresa
Liberdade
Aventuras
Segredo
..." e assim sei lá. Era uma paixão louca, devoradora, arrebentadora, tempestades e trovões, loucuras mil, segredos secretos. Éramos doidos, éramos livres."
Paula Cristina
Primeira
Escadas e livros
Olhares
Faíscas de fogo
Conversas secretas
Espera
Caminho
Encontro
Beijo
Acontecimento
Fascinação
Sonho
"Quando te vi pela primeira vez, eu te achei feio, um feio sedutor, não sei o porquê. Muito jovem e pouca experiência, apenas as dos livros e as imaginadas e também a da vida, mas ainda não tinha me deperado com alguém do sexo oposto. Os olhares não haviam se cruzado como acontecera...
Acordaria na manhã seguinte com uma nova sensação, uma cor diferente na alma..."
Paula Cristina
Olhares
Faíscas de fogo
Conversas secretas
Espera
Caminho
Encontro
Beijo
Acontecimento
Fascinação
Sonho
"Quando te vi pela primeira vez, eu te achei feio, um feio sedutor, não sei o porquê. Muito jovem e pouca experiência, apenas as dos livros e as imaginadas e também a da vida, mas ainda não tinha me deperado com alguém do sexo oposto. Os olhares não haviam se cruzado como acontecera...
Acordaria na manhã seguinte com uma nova sensação, uma cor diferente na alma..."
Paula Cristina
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Amor Feinho
Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado, é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.
Adélia Prado
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado, é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.
Adélia Prado
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
Texto extraído do livro "Adélia Prado - Poesia Reunida", Ed. Siciliano - São Paulo, 1991, pág. 252.
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
Texto extraído do livro "Adélia Prado - Poesia Reunida", Ed. Siciliano - São Paulo, 1991, pág. 252.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Deixe
domingo, 18 de outubro de 2009
Antes que a cortina se feche...
sábado, 17 de outubro de 2009
O ponto final
acordei sem saber que acordei fingindo ser quem eu nunca fui realmente e sendo o que já tinha sido mas não sendo nada e não sei o que acontece são coisas que não cessam nunca pensamentos floreios imagens dores perturbações alucinações tempestades num mesmo segundo e algo me puxa e me diz de deus e quem é deus se estou assim num mar sem mar num monte de areia ventos de areia cabeça arrebentada de naufrágos deslizes e pensamentos sútis nada sútis mas assim agressivos a agresssidade é algo que anima e repulsa repulsão a vida em sentido contrário palavras ao acaso desabafo mental e nada nada me convence o que teria sido a existência de milhares de pessoas se nada fosse nada nada estranho perguntar mas isso vem na minha cabeça agora justo a hora em que levanto e sei que é preciso trabalhar e trabalhar há tanta coisa por fazer mas e eu e as coisas e o mundo e minhas alucinações meus jogos de teatros meus fracassos minhas tentativas de sentir-me eu no mundo ou o mundo em mim de alguma forma não há nada estou atrasada é preciso levantar levantar para que se acordei fingindo ser quem eu nunca fui realmente e sendo o que já tinha sido mas não sendo nada e não sei o que acontece são coisas que não cessam nunca preciso do ponto final.
Paula Cristina
Paula Cristina
Desse mundo
Salve-me
Pelas tuas palavras
pelo teu doce canto
Salve-me
Por teu abrigo eterno
ternura esplêndida
Por tua compaixão
Salve-me
Pelo leve toque
livre calmo sereno
Por seu apoio
forte preciso certeiro
Pela sua cândida pureza
Salve-me
Salve-me do mundo que me engole feito um canhão, que me faz fugir das coisas, que me deixa perdida nas coisas, que faz viver em coisas e com coisas.
Salve-me dessa mundo de coisas.
Paula Cristina
Pelas tuas palavras
pelo teu doce canto
Salve-me
Por teu abrigo eterno
ternura esplêndida
Por tua compaixão
Salve-me
Pelo leve toque
livre calmo sereno
Por seu apoio
forte preciso certeiro
Pela sua cândida pureza
Salve-me
Salve-me do mundo que me engole feito um canhão, que me faz fugir das coisas, que me deixa perdida nas coisas, que faz viver em coisas e com coisas.
Salve-me dessa mundo de coisas.
Paula Cristina
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Cheia de Charme
Quando a vi
Logo ali, tão perto
Tão ao meu alcance
Tão distante, tão real
Tão bom perfume
Sei lá!...
Investi!
Tudo naquele olhar
Tantas palavras
Num breve sussurrar
Paixão assim
Não acontece todo dia...
Huuuuum!
Cheia de charme
Um desejo enorme
De se aventurar
Cheia de charme
Um desejo enorme
De revolucionar
Oh! Oh! Oh!...
Me perdi
Entre os seus cabelos
Pela sua pele
Nos seus lábios tão macios
Tão bom perfume
Sei lá!...
Investi!
Tudo naquele olhar
Tantas palavras
Num breve sussurrar
Paixão assim
Não acontece todo dia...
Huuuum!
Cheia de charme
Um desejo enorme
De se aventurar
Cheia de charme
Um desejo enorme
De revolucionar...
Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh!...
Paixão assim
Não acontece todo dia...
Huuuum!
Cheia de charme
Um desejo enorme
De se aventurar
Cheia de charme
Um desejo enorme
De revolucionar...
Cheia de charme
Um desejo enorme
De se aventurar
Oh!...
Guilherme Arantes
Logo ali, tão perto
Tão ao meu alcance
Tão distante, tão real
Tão bom perfume
Sei lá!...
Investi!
Tudo naquele olhar
Tantas palavras
Num breve sussurrar
Paixão assim
Não acontece todo dia...
Huuuuum!
Cheia de charme
Um desejo enorme
De se aventurar
Cheia de charme
Um desejo enorme
De revolucionar
Oh! Oh! Oh!...
Me perdi
Entre os seus cabelos
Pela sua pele
Nos seus lábios tão macios
Tão bom perfume
Sei lá!...
Investi!
Tudo naquele olhar
Tantas palavras
Num breve sussurrar
Paixão assim
Não acontece todo dia...
Huuuum!
Cheia de charme
Um desejo enorme
De se aventurar
Cheia de charme
Um desejo enorme
De revolucionar...
Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh!...
Paixão assim
Não acontece todo dia...
Huuuum!
Cheia de charme
Um desejo enorme
De se aventurar
Cheia de charme
Um desejo enorme
De revolucionar...
Cheia de charme
Um desejo enorme
De se aventurar
Oh!...
Guilherme Arantes
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Poeta Zeca
Coração no Prego
Na tabua do meu peito,
Um prego da escravidão.
Foi pregado de mau jeito,
Com o martelo da decisão.
Quem pregou foi embora,
Deixando o prego cravado,
Jogou o martelo fora,
Meu peito ficou fechado.
E o coração foi pro prego,
Pela confusão que causou.
Porque se fingiu de cego,
Não vendo o que se passou.
Agora ele paga um preço,
Que está fora da tabela.
O que vai além de um terço,
Da dívida que não cancela.
E a razão de tudo isso,
Não é fácil de entender.
É que um coração omisso,
Envolve-se com o perigo,
E como não consegue ver;
Recebe em troca o castigo.
São Bernardo do Campo/ SP junho de 09
José Alfredo – (Zeca)
Na tabua do meu peito,
Um prego da escravidão.
Foi pregado de mau jeito,
Com o martelo da decisão.
Quem pregou foi embora,
Deixando o prego cravado,
Jogou o martelo fora,
Meu peito ficou fechado.
E o coração foi pro prego,
Pela confusão que causou.
Porque se fingiu de cego,
Não vendo o que se passou.
Agora ele paga um preço,
Que está fora da tabela.
O que vai além de um terço,
Da dívida que não cancela.
E a razão de tudo isso,
Não é fácil de entender.
É que um coração omisso,
Envolve-se com o perigo,
E como não consegue ver;
Recebe em troca o castigo.
São Bernardo do Campo/ SP junho de 09
José Alfredo – (Zeca)
sábado, 10 de outubro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Procuro despir-me do que aprendi...
"Procuro despir-me do que aprendi. Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram, e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, desencaixotar minhas emoções verdadeiras, desembrulhar-me, e ser eu."
Fernando Pessoa
sábado, 3 de outubro de 2009
Miedo
Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da
Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da
El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da
Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da
El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor
Lenine
Gota a Gota
A última gota de meu sangue
sangue nobre e escuro
liquido viscoso
profundo
***
Cai gota a gota
A última lágrima de sal
pura, límpida
líquido de cristal
***
***
Paula Cristina
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Bom dia!
Para dizer olá:
Para dizer oi:
Para dizer bom dia:
Para dizer boa segunda-feira:
- Vamos, menina! Há muito o que fazer!
- Tô indo já...
- Você consegue!
- Sim, eu consigo! Diga ao mundo que SIM!
Para dizer oi:
Para dizer bom dia:
Para dizer boa segunda-feira:
- Vamos, menina! Há muito o que fazer!
- Tô indo já...
- Você consegue!
- Sim, eu consigo! Diga ao mundo que SIM!
sábado, 26 de setembro de 2009
Haikai V
Venha, vamos de mãos dadas
Sereno e sincero
-------------------------------------------------------
Paula Cristina
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
The next time around (Little Joy)
One too many goals
That measure out your worth
To seek your weight in gold
Sat by the ivory sill
The further out you look
The further out you'll be
It's not enough to set the terms
If nothing ventured, nothing earned
Though odds are set against
In time, I'll belong to you
It's how it's meant to be
Settled on your own
Sweeping dust from stones
With a letter home
Back where the hour's long
The simplest things invite a thrill
If just by noticing at will
It's not enough to set the terms
If nothing ventured, nothing earned
It's how it's always been
E onde a sorte há de te levar
Saiba, o caminho é o fim, mais que chegar
E queira o dia ser gentil
À tua mão aberta pra quem é
In time, I'll belong to you
That's how it's meant to be
And how it's always been
Música: http://letras.terra.com.br/little-joy/1373779/#traducao
That measure out your worth
To seek your weight in gold
Sat by the ivory sill
The further out you look
The further out you'll be
It's not enough to set the terms
If nothing ventured, nothing earned
Though odds are set against
In time, I'll belong to you
It's how it's meant to be
Settled on your own
Sweeping dust from stones
With a letter home
Back where the hour's long
The simplest things invite a thrill
If just by noticing at will
It's not enough to set the terms
If nothing ventured, nothing earned
It's how it's always been
E onde a sorte há de te levar
Saiba, o caminho é o fim, mais que chegar
E queira o dia ser gentil
À tua mão aberta pra quem é
In time, I'll belong to you
That's how it's meant to be
And how it's always been
Música: http://letras.terra.com.br/little-joy/1373779/#traducao
L´essentiel est invisible pour les yeux
O que são erros? O que são acertos? Ou o que são experiências na vida de uma pessoa?
Experiência é experiência ou pode vir a ser um erro?
Não sei.
O passado é algo que me perturba: nunca ficamos livres de nós mesmos, dos nosso pensamentos tidos e, por vezes, mantidos.
Isso me inquieta, me assusta: o não olhar para frente, mas sim o olhar para trás.
Resolver as situações, conclui-las é temeroso... é preciso guardá-las realmente numa gaveta oculta no armário do passado longíquo e distante.
Mas o que é uma pessoa sem passado?
- Nada. Não é nada.
Mas o que é uma pessoa sem presente?
- Nada. Não é nada.
Mas o que é uma pessoa sem fututo?
- Nada. Não é nada.
Afinal, o que é viver? Viver de quê maneira? Quais pensamentos devem ser mantidos?
Minha mente é incontrolável, absoluta luta contra mim mesma. Não quero pensar! Não quero me preocupar! Eis que surge aquela gota de sangue que envenena minha alma e mortifica o meu ser.
Não saber ser, não saber controlar os passos, desatar os nós e os laços.Não saber...
O que somente aceito (talvez, é possível que eu esteja me enganando) é que l´essentiel est invisible pour les yeux, e aprendi a sim mesmo em outra língua, não na minha.
A ferro, fogo e feridas, lágrimas, devaneios e ilusões.
Iludi-me com o mundo, com as pessoas. Eu quis! Na tentativa patética de mudança, de apagar-me a mim mesma. Sofri.
Percebi, então, o que era essencial para mim, que fazia parte da minha vida...
Era algo que eu estava abandonando, ferindo, maculando.
E por quê?
Não sei. Sofro com a falta de discernimento que tive... quero limitar-me a não pensar sobre esses erros. Mas são experiências ou erros?
No meu ponto de vista filosófico, experiência.
No meu ponto de vista, erro.
Erro.
O que é a vã filosofia?
Pessoas cheias de palavras e postulações, títulos e méritos, pensamentos contra o senso comum e palavras palavras palavras alavras vras as.
Palavras!
Meu Deus! O que são palavras?
O certo é que l´essentiel est invisible pour les yeux, portanto essas palavras são inúteis para você que as lê, e inúteis para eu que escrevo, olhando-do as, mas úteis ao que é sensível, ao que me constitui, apenas se fechar os olhos... é preciso ver avec le coeur... avec le couer...
E percebi o quanto eu estava perdida e confusa ou confusa e perdida, enfim!
Hoje, não quero que o passado me assombre, destrua minha morada, mas ele ronda, ronda, com um inimigo prestes a matar-te.
Ele corta o meu ar, meu deixa neurótica, triste, rouba meus sentidos e já... já quase não vejo. Ele me guia com seus passos almadiçoados, levando me ao passado.
Não quero!
A minha vida limpa, simples, amável.
Não quero o passado!
Não quero que ele me persiga, não quero lembrar de meus erros, não quero ver as lágrimas, não quero ver os meus... os meus... os meus passos. Por que andei ali?
Fuja! Fuja pensamento. Vá embora, não me inquiete!
Como faço para resolver esta questão? Não quero que lembre, não quero lembrar, não quero, não quero.
Foi um erro, um doce amargo erro.
Doce pela aventura.
Amargo pelo sofrimento.
Sofrimento...
Não me perturbe! Não me faça lembrar... não toque no assunto. Esqueça! Imploro que esqueça... a vida está tão suave, tão leve leve, não me faça voltar, uma faca corta o meu peito: o sofrimento alheio corta-me ao meio, sinto-me não sei, sinto-me morta.
Olhe para o presente.
Olhe para o fututo.
Não me leves àquele cemitério das cinzas
mais cinzas do que qualquer outra cor.
Não me leve ao fundo do poço.
Não me faça ser o que fui e mais um pouco.
Torne-me uma pessoa e não um monstro.
Seja gentil, seja leve, tenha encanto.
Não chore
Não me faça chorar
A nuvem de ressentimentos é tanto?
Só posso dizer para que ouça na sua alma. Feche os olhos e escute como o canto mais belo que possa ousar imaginar:
L´essentiel est invisible pour les yeux.
Não veja, não retorne ao passado, não me leves consigo.
A dor já é tamanha que quase não posso dizer.
Não escute os seus maus pensamentos...
Não veja com os olhos.
Avec le coeur, car l´essentiel est invisible pour les yeux.
Paula Cristina
Experiência é experiência ou pode vir a ser um erro?
Não sei.
O passado é algo que me perturba: nunca ficamos livres de nós mesmos, dos nosso pensamentos tidos e, por vezes, mantidos.
Isso me inquieta, me assusta: o não olhar para frente, mas sim o olhar para trás.
Resolver as situações, conclui-las é temeroso... é preciso guardá-las realmente numa gaveta oculta no armário do passado longíquo e distante.
Mas o que é uma pessoa sem passado?
- Nada. Não é nada.
Mas o que é uma pessoa sem presente?
- Nada. Não é nada.
Mas o que é uma pessoa sem fututo?
- Nada. Não é nada.
Afinal, o que é viver? Viver de quê maneira? Quais pensamentos devem ser mantidos?
Minha mente é incontrolável, absoluta luta contra mim mesma. Não quero pensar! Não quero me preocupar! Eis que surge aquela gota de sangue que envenena minha alma e mortifica o meu ser.
Não saber ser, não saber controlar os passos, desatar os nós e os laços.Não saber...
O que somente aceito (talvez, é possível que eu esteja me enganando) é que l´essentiel est invisible pour les yeux, e aprendi a sim mesmo em outra língua, não na minha.
A ferro, fogo e feridas, lágrimas, devaneios e ilusões.
Iludi-me com o mundo, com as pessoas. Eu quis! Na tentativa patética de mudança, de apagar-me a mim mesma. Sofri.
Percebi, então, o que era essencial para mim, que fazia parte da minha vida...
Era algo que eu estava abandonando, ferindo, maculando.
E por quê?
Não sei. Sofro com a falta de discernimento que tive... quero limitar-me a não pensar sobre esses erros. Mas são experiências ou erros?
No meu ponto de vista filosófico, experiência.
No meu ponto de vista, erro.
Erro.
O que é a vã filosofia?
Pessoas cheias de palavras e postulações, títulos e méritos, pensamentos contra o senso comum e palavras palavras palavras alavras vras as.
Palavras!
Meu Deus! O que são palavras?
O certo é que l´essentiel est invisible pour les yeux, portanto essas palavras são inúteis para você que as lê, e inúteis para eu que escrevo, olhando-do as, mas úteis ao que é sensível, ao que me constitui, apenas se fechar os olhos... é preciso ver avec le coeur... avec le couer...
E percebi o quanto eu estava perdida e confusa ou confusa e perdida, enfim!
Hoje, não quero que o passado me assombre, destrua minha morada, mas ele ronda, ronda, com um inimigo prestes a matar-te.
Ele corta o meu ar, meu deixa neurótica, triste, rouba meus sentidos e já... já quase não vejo. Ele me guia com seus passos almadiçoados, levando me ao passado.
Não quero!
A minha vida limpa, simples, amável.
Não quero o passado!
Não quero que ele me persiga, não quero lembrar de meus erros, não quero ver as lágrimas, não quero ver os meus... os meus... os meus passos. Por que andei ali?
Fuja! Fuja pensamento. Vá embora, não me inquiete!
Como faço para resolver esta questão? Não quero que lembre, não quero lembrar, não quero, não quero.
Foi um erro, um doce amargo erro.
Doce pela aventura.
Amargo pelo sofrimento.
Sofrimento...
Não me perturbe! Não me faça lembrar... não toque no assunto. Esqueça! Imploro que esqueça... a vida está tão suave, tão leve leve, não me faça voltar, uma faca corta o meu peito: o sofrimento alheio corta-me ao meio, sinto-me não sei, sinto-me morta.
Olhe para o presente.
Olhe para o fututo.
Não me leves àquele cemitério das cinzas
mais cinzas do que qualquer outra cor.
Não me leve ao fundo do poço.
Não me faça ser o que fui e mais um pouco.
Torne-me uma pessoa e não um monstro.
Seja gentil, seja leve, tenha encanto.
Não chore
Não me faça chorar
A nuvem de ressentimentos é tanto?
Só posso dizer para que ouça na sua alma. Feche os olhos e escute como o canto mais belo que possa ousar imaginar:
L´essentiel est invisible pour les yeux.
Não veja, não retorne ao passado, não me leves consigo.
A dor já é tamanha que quase não posso dizer.
Não escute os seus maus pensamentos...
Não veja com os olhos.
Avec le coeur, car l´essentiel est invisible pour les yeux.
Paula Cristina
Não te aflijas...
Quarto Motivo da Rosa
Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.
Cecília Meireles
Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.
Cecília Meireles
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Sombras do passado
Ele tem uma incógnita na vida dele e ela percorre todo o seu caminho. Eu tenho uma incógnita na minha vida e ela me angustia, me inquieta.
Sombras de passado oriundas do inferno circulante da vida perpendicular de cada um.
Cuidar de resolver, ninguém resolve não. Algo agarratado feito botão em camisa. Feito prego no coração. E não estamos livres. Não estamos livres. Limitar-se a enganar a si próprio não é a solução: há uma incógnita na vida dele, há uma incógnita na minha vida.
Sombras de passado oriundas do inferno circulante da vida perpendicular de cada um.
Esquecer o presente, viver o passado: é o lema do dia. Incógnitas frias. Incógnitas malditas.
Sombras podres de um quase fruto mal acabado, de um quase nada ou um quase tudo - depende do que se imagina ou se tem por incógnita, mas sempre sombras, rastros de um vento agourento, destruidor de moradas e pensamentos.
Ações são pensamentos. Pensamentos são palavras. Palavras são ações. Se tudo for do passado, não existe nada, nada é concreto, nada é real, é tudo esboço, estrago, um quase arrumado torto.
Sombras de passado oriundas do inferno circulante da vida perpendicular de cada um:
Ele tem uma incógnita.
Paula Cristina
Sombras de passado oriundas do inferno circulante da vida perpendicular de cada um.
Cuidar de resolver, ninguém resolve não. Algo agarratado feito botão em camisa. Feito prego no coração. E não estamos livres. Não estamos livres. Limitar-se a enganar a si próprio não é a solução: há uma incógnita na vida dele, há uma incógnita na minha vida.
Sombras de passado oriundas do inferno circulante da vida perpendicular de cada um.
Esquecer o presente, viver o passado: é o lema do dia. Incógnitas frias. Incógnitas malditas.
Sombras podres de um quase fruto mal acabado, de um quase nada ou um quase tudo - depende do que se imagina ou se tem por incógnita, mas sempre sombras, rastros de um vento agourento, destruidor de moradas e pensamentos.
Ações são pensamentos. Pensamentos são palavras. Palavras são ações. Se tudo for do passado, não existe nada, nada é concreto, nada é real, é tudo esboço, estrago, um quase arrumado torto.
Sombras de passado oriundas do inferno circulante da vida perpendicular de cada um:
Ele tem uma incógnita.
Paula Cristina
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Pois é!
ORAÇÃO DA SERENIDADE
Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária
para aceitar as coisas que não podemos modificar,
coragem para modificar aquelas que podemos e
sabedoria para distinguir umas das outras.
Concedei-nos, Senhor, a serenidade necessária
para aceitar as coisas que não podemos modificar,
coragem para modificar aquelas que podemos e
sabedoria para distinguir umas das outras.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
O que é a loucura?
Enquanto todos não se importam, eu me importo.
A loucura é a sanidade de poucos...
A loucura é a sanidade de poucos...
Paula Cristina
Queijo e Goiabada
Feito assim
Queijo
Goiabada
Ou
Goiabada
Queijo
Um salgado, outro doce.
Par feito
Por uns instantes
O sal não faz parte da goiabada
O açúcar não faz parte do queijo
E aí?
Paula Cristina
domingo, 13 de setembro de 2009
Eu e mim, ou mim e eu.
Eu estou em mim?
Mim mora em eu?
Eu mim mora aqui?
Aqui mim mora com eu?
Eu e mim
Mim e eu
Não sei.
Não sei se sou mais eu.
Não sei se sou mais mim.
Sei que fico
mim
eu
eu
mim
Mim não sabe nada de eu
Eu não sei nada de mim
Dupla perdida
Margens da vida.
Não sei.
Não sei se penso como eu.
Não sei se penso como mim.
Mim e eu são revoltosos.
Eu e mim são diabólicos.
Pacto compactante
de loucura e sanidade.
Deus o rio?
O Diabo a canoa?
Entre eu e mim há uma vastidão de mundos
obscuros secretos inquietos intolerantes
Entre mim e eu há uma vastidão de mundos
intolerantes inquietos secretos obscuros
Espelho maldito
Desgraça da duplicidade
Quero ser eu!
ou
Quero ser mim!
Mim está aqui fora ou dentro
Eu estou dentro ou aqui fora
Dor
Dor de cabeça insensata
Dor de estômago apodrecido
Cáucaso da alma
Abutre do infinito
- Acorrentem! Acorrentem!
Eu? Mim? Mim? Eu?
Ambos anjos caiados e caídos
Mornos de sangue adormecido
Paula Cristina
Mim mora em eu?
Eu mim mora aqui?
Aqui mim mora com eu?
Eu e mim
Mim e eu
Não sei.
Não sei se sou mais eu.
Não sei se sou mais mim.
Sei que fico
mim
eu
eu
mim
Mim não sabe nada de eu
Eu não sei nada de mim
Dupla perdida
Margens da vida.
Não sei.
Não sei se penso como eu.
Não sei se penso como mim.
Mim e eu são revoltosos.
Eu e mim são diabólicos.
Pacto compactante
de loucura e sanidade.
Deus o rio?
O Diabo a canoa?
Entre eu e mim há uma vastidão de mundos
obscuros secretos inquietos intolerantes
Entre mim e eu há uma vastidão de mundos
intolerantes inquietos secretos obscuros
Espelho maldito
Desgraça da duplicidade
Quero ser eu!
ou
Quero ser mim!
Mim está aqui fora ou dentro
Eu estou dentro ou aqui fora
Dor
Dor de cabeça insensata
Dor de estômago apodrecido
Cáucaso da alma
Abutre do infinito
- Acorrentem! Acorrentem!
Eu? Mim? Mim? Eu?
Ambos anjos caiados e caídos
Mornos de sangue adormecido
Paula Cristina
Meu Deus, o que é o homem?
O homem
O que é o homem
um monte de lixo
um monte de coisas
tralhas e trapos
fiapos quaisquer
soberba arruinada
futuro sem fim
causa errada
desespero ruim
lamentações enganosas
vaidade e loucura
O homem
O que é o homem
um monte de lixo
um monte de coisas
gente isolada
abismo de mim
egoísmo de outrora
riquezas enfim
vaidade e loucura
lamentações enganosas
O homem
o que é o homem
dor sem dizer
digo que sim
beleza inválida
cálido jasmin
lamentações e loucuras
enganosas vaidades
O homem
Meu Deus, o que é o homem?
Paula Cristina
O que é o homem
um monte de lixo
um monte de coisas
tralhas e trapos
fiapos quaisquer
soberba arruinada
futuro sem fim
causa errada
desespero ruim
lamentações enganosas
vaidade e loucura
O homem
O que é o homem
um monte de lixo
um monte de coisas
gente isolada
abismo de mim
egoísmo de outrora
riquezas enfim
vaidade e loucura
lamentações enganosas
O homem
o que é o homem
dor sem dizer
digo que sim
beleza inválida
cálido jasmin
lamentações e loucuras
enganosas vaidades
O homem
Meu Deus, o que é o homem?
Paula Cristina
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
O Cão sem Plumas
Na paisagem do rio
difícil é saber
onde começa o rio;
onde a lama
começa do rio;
onde a terra
começa da lama;
onde o homem,
onde a pele
começa da lama;
onde começa o homem
naquele homem.
João Cabral de Melo Neto
difícil é saber
onde começa o rio;
onde a lama
começa do rio;
onde a terra
começa da lama;
onde o homem,
onde a pele
começa da lama;
onde começa o homem
naquele homem.
João Cabral de Melo Neto
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